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26 de abr de 2015

O RETORNO!!!

Vocês pediram... E seus pedidos foram realizados!

 

Pete, o Moonshiner

          
  Na quarta e quinta série, eu costumava passar a noite na casa do meu amigo Tom quase todo fim de semana. Tom vivia em uma casa no campo. Ele dividia o quarto com seu irmão mais velho, Walter. Nós 3 ficavamos acordados até tarde contando histórias assustadoras.

  A mais assustadora era uma história verdadeira. Aqui está como Walter contou:


“ Em 1920, esta casa pertencia a uma família diferente. O vizinho mais próximo era um moonshiner chamado Pete (uma bebida alcóolica ilegal). Pete morava em um barraco no fundo da floresta e estava sempre em conflito com a lei. Os pais advertiram os filhos para NUNCA ir perto da terra de Pete.

  O menino dormia neste mesmo quarto. Uma noite ele acordou com o som de vidro quebrado em algum lugar dentro da casa. Vivendo tão perto de Pete, o menino era muito cauteloso. E, em vez de abrir a porta, ele trancou-a. Então pressionou o ouvido na porta e ouviu.

  O menino ouviu passo tropeçando pelo corredor. O barulho das botas era pesado demais para ser seu pai. Ele quase podia sentir o cheiro da bebida através da porta do quarto. "Deixe-me entrar, garoto." Era Pete ... Mas o menino não iria abrir a porta. Superando o medo, ele gritou: "Não!"

  Depois de um minuto, o menino pôde ouvir as botas pesadas de Pete desaparecendo pela casa. Em um quarto distante, ouviu seu pai gritas com ódio, para Pete. Mas os gritos de raiva logo se transformaram em gritos de agonia. Durante quase uma hora, os sons se estenderam enquanto seu pai gastava suas cordas vocais em agonia enquanto gritava. O menino pensou que os gritos de agonia eram a pior coisa que ele já tinha ouvido, até que foi substituído por algo pior... Silêncio.

  Pele voltou para o quarto do menino, tropeçando enquanto andava lentamente com suas botas pesadas. Ele bateu na porta de carvalho maciço. "GAROTO! Abra essa porta, ou você vai se arrepender." O garoto podia sentir o cheiro através da porta. Mais uma vez ele disse: "Não!"

  E então foi a vez de sua mãe. Seus berros e gritos duraram duas horas. Quando eles pararam, as botas pesadas tropeçaram de volta para a porta. O cheiro da bebida alcoólica era esmagadora.  "Garoto ! Eu disse: 'Abra essa porta.' Esta é sua última chance. "O menino estava apavorado: "Por favor, não machuque a minha irmã!" Pete estava bêbado e se divertindo. Ele riu: "Então, abra a porta rapaz." Mas o garoto  sabia que não devia. E assim ele passou as próximoa três horas ouvindo os gritos de sua irmã mais nova.

  Quando a polícia chegou para investigar a casa dois dias depois, eles encontraram a mãe, pai e a irmã amarrados esticados em suas suas camas. Pete tinha feito um pequeno furo em cada um de seus abdômens e puxado as entranhas de suas barrigas centímetro por centímetro, até morrerem de dor.

  Eles encontraram o menino desidratado, mas vivo. Ele ainda estava fechado neste mesmo quarto. Pressionado contra esta mesma porta. Ele estava completamente catatônico. Ele passou o resto de sua vida em um sanatório, ocasionalmente, murmurando "eu deveria ter aberto a porta? ... Deveria ter aberto a porta? ...."

  Pete foi finalmente capturado e executado. Seu barraco foi demolido. Mas seu fantasma ainda assombra esta casa. Às vezes, podemos sentir um pouco do doce cheiro da bebida, de manhã, e uma dor em nossas barrigas. E quando sentimos, sabemos que Pete estava aqui durante a noite, tentando puxar nossas entranhas. “


  Esta história realmente me assustou. Nota 10 de 10! Eu sempre insistia para que nós três dormissemos com a porta do quarto trancada e as luzes acesas. A imaginação de uma criança é tão forte nessa idade! Eu morria de medo de qualquer barulho na casa antes de finalmente adormecer. Sempre que eu acordava no quarto, eu podia até mesmo sentir o aroma fraco, doce, da bebida de Pete. Para ser honesto, eu podia até sentir uma dor fraca na parte de baixo da minha barriga.

  Sempre que eu falava com os dois irmãos sobre isso, eles iriam rir e entravam na brincadeira. "Sim, eu também sinto o cheiro", dizia Walter. "Eu também. E meu estômago dói!" Tom entrava na conversa, fingindo estar com medo. Eles se mudaram para Utah quando Tom e eu estávamos na quinta série. Não tenho falado com eles desde então.

  Avancemos para esta manhã. Estou sentado no laboratório de química no campus. Enquanto eu e meus colegas estávamos preparando um experimento, um dos produtos químicos escapou, e senti um cheiro... familiar... Cheirava exatamente à  bebida de Pete, do jeito que eu lembrava. É um aroma incrivelmente diferente, penetrante, quase doce - não exatamente como o álcool ou um verdadeiro "moonshine", mas similar.

  Eu não tinha sentido o cheiro desde aquelas manhãs depois de dormir de novo com Tom e Walter. Este era exatamente o mesmo cheiro. Peguei o frasco e olhei para o rótulo: ". Éter etílico"... Era éter.

  Eu fiquei olhando o laboratório, em transe. Congelado. Me lembrei de trancar a porta do quarto todas as noites.

  Me lembrei de acordar com um leve cheiro de éter na minha boca.

  Me lembrei da leve dor dentro de minhas entranhas todas as manhãs.

  E eu percebi ... Não havia nenhum "Pete, o Moonshiner".


  Eles tinham me estuprado....


Sob o Jardim - Parte X(Final)

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Estava tudo uma bagunça.

 A grama estava morrendo, coberta por caminhos de gramado marrom, seco; as rosas estavam murchas, suas pétalas apodrecidas pelas bordas, e as raízes das flores estavam cobertas de manchas negras, como se uma terrível doença tivesse atacado cada uma das plantas pela noite.

“Isso não é possível! Frederick gritou como cambaleando como se estivesse bêbado, em direção dos juízes, segurando um deles pela gola da blusa e derramando um líquido detestável em seu ombro.

“Quem fez isso! Eu vou mata-lo! Eu vou mata-lo! Ciganos Bastardos e imundos! “ 

Frederick espumou pela boca, enquanto as caras dos três juízes se transformaram em puro medo e aversão, assustados com a vista repugnante de um homem claramente desgastado pela tal doença.

Descontando sua raiva nos juízes, ele os perseguiu no seu jardim que se encontrava agora apodrecido e estragado. Se ele tivesse força, ele iria simplesmente matar os três, mas a doença e a dor que estavam nela, o forçou a procurar sua cama mais uma vez.

O doutor da cidade local, Dr. Miller, visitou Frederick aquele dia, mas mesmo ele não pode dizer a natureza ou causa da doença.

 A condição de Frederick parecia estar completamente errática.

Um dia sua visão iria voltar e ele apareceria tão jovem como sempre pareceu. 

Os olhos dele iriam se normalizar e ele estaria fora da cama, reduzido a ter a força física de um homem doente devastado pela idade. Ainda recusava ir para o hospital, aterrorizado pela possibilidade de a polícia encontrar evidências de que ele matou a garota. (Dos dias em que ele lentamente substituía os papéis de parede do banheiro, tirando o melhor que pode dos traços de sua vítima mais recente.)

Uma das vizinhas de Frederick, uma mulher com o nome de O’Malley, observou para o Dr. Miller que a saúde de Frederick parecia corresponder com o bizarro fenômeno que tomava conta do jardim dele.

Nos dias que ele estivesse bem, o jardim iria retornar para sua forma gloriosa com um gramado verde e um estande floral maravilhoso. 

Ainda nos dias em que ele estivesse doente, o jardim apodreceria.

Era como se os dois estivessem conectados a um laço invisível.

Enquanto Dr. Miller não podia contar com as mudanças noturnas bizarras no jardim de Frederick, ele com certeza considerou essa observação como uma mera fofoca da cidade; supersticiosa até então.

Nos últimos dias da corte de juízes da Associação Garden, Frederick ficou ainda mais doente. 

O jardim murchava como sua saúde. 

Como se os montes de grama morta virassem um acessório permanente em seu gramado, também apareceram numerosas e dolorosas manchas gangrenosas por todo seu corpo e face; enquanto as flores morriam, o cabelo de Frederick lentamente ficava mais ralo e seus dentes começaram a cair e enquanto as manchas negras tomavam conta de cada planta em seu Jardim, a força de Frederick o abandonou.

No dia em que o jardim temático de orquídeas da Patti Rossier ganhou o prêmio de jardim do ano da cidade, Frederick estava deitado, desamparado, desabilitado de mover-se de sua própria cama. 

Frágil e desprovido de sua força, que o permitiu matar tantas vítimas inocentes.

Cego, com seus olhos nublados e inúteis.

Enquanto a noite caia, algo se moveu na adega.

Primeiramente poderia ser um delírio, mas depois de um tempo Frederick soube da verdade: Alguém estava ali embaixo. 

Com cada pisada cambaleante, ele deitou paralisado pela dor enquanto algo lentamente subia as escadas da adega.

Dessa vez, ele não tinha esperança de ver o intruso. 

Não importava que a casa estivesse escura, o mundo de Frederick estava em uma permanente noite.

Enquanto o pé cambaleante fazia seu caminho com pisos incertos da porta da adega para a beira de sua cama, ele tentava gritar, mas nenhum som era produzido, nem qualquer misericórdia foi dada.

Foi o doutor da cidade quem encontrou Frederick, e o que ele descobriu naquele dia era um mistério médico. 

O jardim que ele tinha e cuidava com tanto orgulho estava sobrecarregado por um fungo negro raro, que sistematicamente matou cada lâmina de grama, cada flor, cada sinal de vida. 

A autópsia mostrou que o mesmo fungo, de algum modo, contaminou o corpo de Frederick.

Foi constatado também que ele pegou o fungo enquanto cuidava de seu jardim.

Isso o apodreceu por dentro, causando muito dano a seu sistema nervoso. Uma lenta, dolorosa e terrível morte.

Seja lá como for, não foi a presença desse quadro em seu cérebro que confundiu os doutores e também os médicos legistas. 

Eram os conteúdos de seu estômago que provocaram certo ultraje para o povo da cidade.

Dentro do estômago de Frederick, foi encontrado um dedo solitário, de uma garota jovem que recentemente desapareceu, com uma aparência notável, exceto por um incomum anel de ouro que ele usava em morte, assim como o fez em vida.



25 de abr de 2015

Acho que meu marido fez alguma coisa com um dos gêmeos - Parte IV

Todd pegou o telefone, soando convincentemente feliz. “Phillip, cara, não tem quase nada para eu fazer aqui. Acho que preciso contratar uma grávida para trabalhar para mim, ela fez tudo por aqui... hum... Você não se lembra? Na semana passada! Recebi uma mensagem de texto pedindo para dar uma passada aqui. Ah, certo... Não, ela está bem. Phillip, sim. Claro, não se preocupe. Claro, fala com ela.” Todd não tinha quebrado o contato visual comigo e continuava me olhando quando me entregou de volta o telefone.

“Oi, amor!” Eu falei nervosamente, enquanto tirava o cabelo dos olhos.

“Isabelle, querida. Eu não lembro de ter pedido ao Todd para passar aí, então eu quero que você peça para ele ir embora, está bem? Ele sempre teve inveja de quem eu era, e sempre fez “piadinhas” sobre o quão sexy você é. Essa história está um pouco assustadora. Só estou preocupado que ele esteja aí para tentar alguma coisa com você. Eu te amo, Isabelle. Por favor, basta tirá-lo da nossa casa.” Minha cabeça estava girando, eu nunca tinha percebido segundas intenções em Todd. Teria sido distraída a esse ponto? Ou Phillip estava tentando tirá-lo daqui por outro motivo?

“Está bem, Phillip. Farei isso. Tenho que desligar. Te amo.” Fechei a tela e coloquei o telefone na mesa.

“Todd, acho melhor você ir agora.”

“Isa, eu não sei o que Phillip te disse. Mas há uma última coisa. Não pense nem por um minuto que ele vai se importar com a Jéssica. Nunca.”

“Não foi o que você disse literalmente três minutos atrás! Agora vai, e não volte!” Tentei ficar de pé para dar mais ênfase a minha fala, mas tive medo de que acabasse parecendo uma tartaruga tentando sair do casco.

“Três minutos atrás eu não tinha falado com Phillip. Mas se você quer que eu vá então tudo bem, eu vou. Mas se lembre que ele nunca se desculpou por Leslie. Adeus, Isabelle.” Todd bateu a porta. Caí de volta no sofá, entre soluços. Meu telefone tocou de novo e eu atendi cheia de raiva.

“O QUE É?!”

“Hum, oi para você também, Isabelle.” Merda, era o Jackie, meu chefe.

“Desculpe, Jackie, pensei que fosse outra pessoa. O que houve?”

“Não posso dizer. Você pode vir aqui amanhã assim que acordar?”

“Por que preciso ir assim que acordar? Há algo errado com meus documentos? Eu chequei duas vezes com o RH, repouso absoluto conta como afastamento por doença e a papelada foi aprovada há duas semanas. Tudo o que tenho que fazer é avisar quando os gêmeos nascerem.” Quebrei a cabeça tentando pensar na razão pela qual tinha sido convocada a ir ao escritório de forma tão abrupta.

“Não, não é isso. É sobre o departamento. Não tenho permissão para discutir isso pelo telefone. Odeio ter que fazer isso com você, te vejo amanhã em meu escritório às 8 horas. Sinto muito, Isabelle.” Jackie não parecia sentir muito, mas, novamente, alguma merda tinha acontecido.

Eu tinha o peso do mundo nas costas. Phillip tinha matado Leslie, não tinha como contornar isso. Talvez ele nunca tenha tocado no assunto por estar envergonhado e arrependido. Talvez por isso ele fosse tão apático quando o assunto era Jéssica. Talvez ele estivesse com medo de me dizer e eu pensar que ele era um psicopata. Na verdade eu achava que ele era. O que tinha feito Todd vir até aqui? Era porque eu estava grávida de um casal de gêmeos? Ou Todd era um babaca, tentando de um jeito estúpido me fazer trocar Phillip por ele? Eu não tinha pensado nisso. Meu Deus, tudo estava muito além da imaginação. E agora eu tinha que dirigir mais de uma hora até Boston por uma coisa que eu tinha certeza não ser um par de banheiras para bebês.

Cheguei em casa no dia seguinte por volta das dez. Estive chorando desde as nove, soluçando pesadamente. Nosso departamento estava sendo fechado. Era um departamento relativamente pequeno, éramos apenas seis. Um casal de veteranos tinham se aposentado e estavam a caminho da Flórida e da sala de bingo, respectivamente. Jackie e os outros foram transferidos para outros departamentos, exceto eu. Eu era inelegível. Na verdade, assim que minha licença maternidade terminasse, eu seria demitida. Entre o relatório estragado, a perda de e-mails e ligações, meu desempenho havia sido abaixo da média. Não me lembro de ter perdido e-mails ou não ter atendido chamadas, mas não podia questionar; estava chocada. Jackie disse que a empresa não iria se opor sobre meu pedido de demissão, considerando meus anos de empresa. Assinei toda a papelada, limpei minha mesa e saí.

Phillip chegou em casa tarde, por volta das onze da noite. Contei sobre o fim do departamento, excluindo a parte sobre eu não ser elegível para transferência. Phillip me abraçou e acariciou meus cabelos, e finalmente perguntou:

“Todd causou algum problema? Desculpe não ter te contado, querida, não quis te preocupar.” Eu enrijeci, imaginando que rumo tomar.

“Não, eu disse que não estava me sentindo bem e queria ficar sozinha. Não tive notícias dele desde então, você teve?”

“Isso é bom, isso é bom. Não, eu não tive notícias dele. Nem acho que terei, infelizmente. Não gostei dele ter aparecido. Bem, seus pais estarão aqui na próxima semana. E em duas semanas nós teremos noites de sono bem mais curtas.”

“Isso supondo que eles nascerão na data exata. Os bebês quase nunca nascem na data planejada. Especialmente gêmeos. Mas vai ser bom ter ajuda enquanto eles estiverem aqui. Ah, eu quero tanto conhecer os bebês. Aposto que Henry tem o mesmo topete que você.” Eu segurei a mão dele sobre a minha barriga, sentindo os bebês se acotovelando.

“Dr. Keats disse que se você passar de 39 semanas, ele induzirá o parto. E eu não acho que seja má ideia.”

“Vamos ver o que acontece, mas eu concordo.” Eu bocejei e peguei um remédio. Andava tendo crises de insônia e o Dr. Keats disse que esse remédio me ajudaria e que era seguro. Dei um beijo de boa noite em meu marido e caí num sono sem sonhos.

Acordei com uma dor excruciante. Deixei escapar um grito animal, apertando minha barriga dura feito pedra. Phillip deu um pulo, me olhando com uma combinação de horror e medo. A dor irradiava de minha barriga inchada, minhas costas, e foi diferente de tudo o que já tinha sentido. Os livros e a internet não chegavam nem perto de explicar isso. Olhei da minha barriga para entre minhas e notei que minha camisola estava encharcada.

“Phillip, eu estou em trabalho de parto! Acho que minha bolsa estourou! Rápido, chame o Dr, Keats, ai, meu Deus, isso dói! AAAAH!” Eu gritei de novo, o suor escorrendo da minha testa e lábio superior. Phillip já estava discando desajeitadamente para o Dr. Keats, mantendo um olho em mim e o outro na tela do telefone.

“Dr. Keats? Oi, é o Phillip [em branco], marido da Isabelle. Acho que ela está em trabalho de parto. A bolsa estourou e as contrações estão... amor, de quanto em quanto tempo você está tendo contrações?”

“Eu não sei, porra! Talvez um, dois minutos?! Merda, como eu pude dormir com isso?” Eu gritei, com uma mão na barriga e outra nas costas. Como posso descrever a dor? Pense em sua coluna tentando se separar fisicamente de seu corpo. E seu estômago virando pedra. É como ser agarrado por uma mão de ferro que se recusa a liberar suas garras. Mordi o lábio para não gritar e senti o gosto de sangue.

“Ok, certo, estamos a caminho.. Certo, encontro você aí.” Phillip desligou o telefone e agarrou um par de jeans. Enquanto ele vestia uma camisa suja, eu perguntei:

“O que está havendo? O que o Dr. Keats disse?” Eu estava tentando ficar calma mas tinha medo de não ter sucesso.

“Ele disse que você está num estágio muito avançado para arriscar te levar até o hospital. Ele vai nos encontrar na clínica. Sua bolsa está no carro; deixe-me ajudar com o casaco e com os sapatos. Você acha que o remédio te ajudou a dormir durante toda a fase inicial do trabalho de parto? Isabelle. Pare. Pense. Essa hora amanhã... nós seremos pais. Antes de sair, eu quero que saiba uma coisa: Se você multiplicar todas as estrelas do céu, por todos os grãos de areia de todas as praias, você ainda não chegará perto do quanto eu te amo. Agora vamos!” Phillip nervosamente sorriu, eu puxei meu casaco enquanto saíamos.

Dr. Keats estava destrancando a porta quando chegamos na clínica. As contrações vinham quase a cada minuto, eu tentava não gritar para não assustar Phillip, mas isso doía como o inferno. Dr. Keats fez um sinal para esperarmos e em um segundo veio me encontrar na porta com uma cadeira de rodas. Eu fui levada até a sala de parto, onde eu fui prontamente colocada na maca e meus pés colocados em estribos. Eu implorei por uma epidural, mas Dr. Keats me deu uma olhada e disse que não havia tempo para isso.

“EMPURRE, ISABELLE, EMPURRE!” Dr. Keats gritava com autoridade, Eu empurrei com toda força que tinha, rangendo meus dentes, soltando um gemido gutural no processo. Eu podia sentir algo acontecendo, mas não sabia o que. Continuei empurrando e só parei quando Dr. Keats que já era suficiente. Deitei a cabeça de volta na fronha de papel, me sentindo doente.

“Ok, Isabelle, mais um empurrão e você consegue. EMPURRE!” Dr. Keats ordenou e eu obedeci. Senti como se tudo abaixo da cintura estivesse em chamas e, dessa vez, eu não me contive. Soltei um grito do fundo de meus pulmões, minhas unhas cavando as mãos de Phillip. Segurei o impulso por dez segundos, contando na minha cabeça, um dois três quatro cinco seis sete oito nove dez... Ouvi um choro, senti uma lufada de ar. Então tudo ficou preto.

Quando acordei, olhei à minha direita. Phillip estava dormindo pesadamente. Olhei para baixo, minha barriga ainda estava inchada, mas pastosa. Tudo veio como um flash. Eu tinha vindo aqui para dar à luz meus gêmeos! Olhei para a sala em pânico, mas não vi nenhum berço ou bebês. Onde estavam meus bebês?

“Phillip, Phillip, acorda! Onde estão os bebês? Onde estão meus gêmeos? Como estão Henry e Jéssica? Por que não estão aqui? Quanto tempo eu dormi? Eles estão bem? PHILLIP!” Eu gritei, balançando as pernas sobre a cama e sendo saldada por uma dor tão grande que me fez querer vomitar.

“Isabelle, você está acordada! Fica calma, calma. Henry está bem. Você ficou desacordada por cerca de dois dias. Você perdeu muito sangue. Vou pedir para a enfermeira trazê-lo aqui dentro.” Phillip apertou o botão “chamar enfermeira” enquanto caminhava até mim.

“Henry, mas e a Jéssica? Onde ela está? Eu tive gêmeos, onde está Jéssica? Eu quero ver meus dois bebês” Eu gritei, tentando desesperadamente não soar histérica.

“Enfermagem, em que posso ajudar?” A voz veio de uma caixa de som na minha cama.

“Oi, aqui é do quarto 104. Nós queremos nosso filho, por favor.” Phillip falou muito naturalmente.

“Isabelle, que gêmeos? Nós tivemos um filho, Henry. Não sei do que você está falando. É um efeito colateral da medicação? Nós tivemos só um bebê, Henry. Não há gêmeos, Isabelle. Eu não sei quem é Jéssica. Você pensou que nós teríamos uma menina? Porque nós temos um menino, Henry Sebastian.” Phillip explicou pacientemente. A enfermeira trouxe um berço de rodinhas com um bebê enrolado num cobertor branco.

“Enfermeira, onde está o outro bebê? Eu tive uma menina, eu tive gêmeos! Onde ela está? O nome dela é Jéssica, eu tive gêmeos, ONDE ESTÁ MINHA MENININHA?!” Eu berrei, olhando descontroladamente da enfermeira para meu marido. A enfermeira parecia confusa e lançou um olhar preocupado a Phillip.

“Sra. [em branco] há somente um bebê... E ele está aqui, um menino saudável.” A enfermeira estava claramente desconfortável.

“NÃO! Não, eu tive gêmeos! Um menino e uma menina! Henry e Jéssica e eu não sei que merda de brincadeira vocês estão tramando, mas eu quero minha filha! Onde está Jéssica? Eu quero ver a Jéssica! Não estou louca, os exames, os ultrassons, tudo mostrava que eu estava grávida de gêmeos! UM MENINO E UMA MENINA, ME DÊ MINHA GAROTINHA!” Gritei e o bebê no berço começou a chorar com o barulho. Phillip acenou para a enfermeira, que pegou uma seringa. Comecei a me debater na cama, mas ele me segurou, dizendo palavras suaves em meu ouvido. A enfermeira injetou algo em mim e eu desmaiei.

“Isabelle? Isabelle, você está se sentindo bem?” Dr. Keats estava inclinado sobre mim, a feição muito preocupada. Eu só queria perguntar onde estava minha bebezinha estava, mas algo dentro de mim me segurou.

“Só um pouco confusa. Onde está Phillip?” Esfreguei minha cabeça, parecia que pesava uma tonelada.

“Tenho más notícias. Phillip foi buscar seus pais no aeroporto ontem. Havia muito gelo na estrada; o carro capotou e rolou. Seus pais não tiveram culpa. Phillip está no hospital, ele está bem, mas será mantido lá pela noite para observação. Isabelle, eu sinto muito.” Dr. Keats olhava para suas mãos, como se isso lhe desse algum jeito mágico para entregar esse golpe esmagador.

“O que você quer dizer? Meus pais estão mortos? É o que você quer dizer?” Eu estava chorando e soluçando muito, soluços terríveis.

“Isabelle, eu sinto muito. Eles não sobreviveram ao acidente. Phillip deve ser liberado ainda hoje, se tudo estiver bem. Isso deve ser horrível de se ouvir, especialmente nesse momento. Agora me diga, o que é isto que ouvi sobre uma história de gêmeo?” Dr. Keats olhou por cima do meu prontuário de forma inquisitiva.

“Sim! Eu tive uma menina, Jéssica, não tive? Ou é algo que aquele remédio me fez sonhar?” Ri nervosamente, sentindo meu estômago afundar.

“Não há nada em seu prontuário que indicasse gêmeos. Apenas um lindo e saudável menino. Henry, estou certo? Ele nasceu exatamente às duas horas, com 3,175kg. Eu posso trazê-lo aqui se você quiser.” Dr. Keats olhou para mim com o rosto cheio de perguntas. Eu sabia que o modo como eu respondesse determinaria se eu ira ou não ver o meu bebezinho.

“Sim, por favor. Quero amamentá-lo o quanto puder.” Comecei a desabotoar meu vestido, em preparação para meu filho. Dr. Keats assentiu com aprovação, e como que por magia, meu filho foi levado até mim.

Henry era um lindo menino. Ele sugou meu peito avidamente. Enquanto se alimentava, olhei cada centímetro dele. Ele tinha dez longos dedos nas mãos, e dez deliciosamente beijáveis dedinhos nos pés. Ele tinha meu tom de cabelo loiro sujo, mais macio que pena de ganso. Seu queixo era pontudinho e angular, assim como o de Phillip. Ele era tão pequeno, tão vulnerável. Ele não era maior que meu antebraço, e estava acariciando alegremente meu peito. Sua pele era aveludada, eu a acariciava com os dedos e cantava canções de ninar em seu ouvido. Eu senti um amor que nunca tinha sentido antes. Eu soube então, naquele instante, que o que quer que acontecesse, eu ficaria feliz em morrer por ele. Em qualquer dificuldade, eu sofreria por ele de bom grado, se isso significasse a felicidade dele. Qualquer dor que ele sentisse, eu sentiria dez vezes. Chorei tranquilamente, sabendo que este pequeno ser, meu filho, meu Henry, tinha mudado minha vida de uma maneira que eu jamais saberia.

Eu mal tinha começado a compreender o quanto minha vida tinha mudado.

Na manhã seguinte, Phillip veio com uma dúzia de rosas. Deixei escapar um grito involuntário ao vê-lo, e eu braço livre estendeu a mão para ele, meu outro braço embalando Henry. Ele tinha um olho roxo e um a tipoia no braço esquerdo. Ele colocou as rosas sobre a mesa de cabeceira e beijou nossas cabeças. 

“Meus pais...” Eu disse, minha voz vacilante e lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

“Isa, eu sinto muito. Sinto muito mesmo. Assim que Henry estiver alimentado, pediremos sua alta e iremos embora, está bem? Acho que será melhor para todo mundo se estivermos em casa.” Phillip sentou-se aliviado na cadeira ao meu lado, fazendo uma careta. Eu assenti com a cabeça. Uma hora depois, a enfermeira entrou com os documentos da alta médica e nós pegamos nosso caminho para casa.

Eu queria tanto dizer alguma coisa sobre Jéssica. Eu sabia muito bem que ela não era algo que eu tinha criado como uma loucura. Indo para casa iria provar isso. Dois assentos no carro. Haveria dois berços. Dois enxovais de roupa. Além disso, Todd sabia que eu estava grávida de gêmeos, ele me apoiaria, certo? Tinha de haver algum registro de Henry e Jéssica! Eu não estava louca. Eu queria pegar minha menina, mas da última vez que tentei tinha sido drogada, eu estava com medo. A enfermeira não sabia que eu tinha gêmeos. Dr. Keats não sabia que eu tinha gêmeos. Phillip agia como se eu nunca tivesse carregado gêmeos em minha barriga.

Bem. Então. Quem era o louco?

Quando chegamos em casa, peguei Henry e tudo, mas corri até o quarto dos bebês, totalmente preparada para fazer um escândalo. Eu abri a porta para encontrar... um berço.

“Qual o problema, querida? Você parece perdida.” Phillip veio atrás de mim, a imagem de um marido adorável.

Eu coloquei Henry para dormir no berço e, lentamente, virei para encará-lo.

“Eu sei que tinham dois berços nessa porra de quarto não tem três dias. Eu ia ter gêmeos. Phillip, caralho, onde está a minha menina?”

“Isabelle, eu acho que deve ser algum tipo de depressão pós parto ou algo assim.”

“VÁ SE FODER, PHILLIP! EU NÃO ESTOU LOUCA! Três dias atrás haviam dois assentos no carro, dois berços e dois enxovais neste quarto. Eu dei à luz dois bebês, um menino e uma menina. Henry Sebastian e Jéssica Marie! Eu não sei que merda está acontecendo, mas minha bebezinha está desaparecida. Existem pessoas que sabem sobre ela. Meus pais, meus colegas de trabalho, Todd, Dra. Whiting, Dr. Keats, todos eles sabem que eu estava esperando dois bebês. O QUE VOCÊ FEZ COM A JÉSSICA, SEU DOENTE FILHO DA PUTA?!” Eu gritei, meu rosto vermelho e lágrimas escorrendo livremente pelo meu rosto. 

O rosto de Phillip ficou de um jeito que nunca tinha visto antes. Era um rosto de fúria e desgosto. Ele me agarrou pela garganta e sibilou em meu ouvido:

“Você diz que são dois, eu digo que é um. Há um berço, um assento, um nascido vivo. Seus pais estão mortos, Dra. Whiting está morta, quando foi a última vez que viu seus colegas de trabalho? Todd? Ele dirá qualquer coisa que eu quiser que ele diga. Dr. Keats? Ele está sendo muito bem pago. Você tinha uma tarefa, minha querida, e você a executou muito bem. Você me entregou um filho. Se você pensa que alguém irá acreditar em você sobre Jéssica, você está tremendamente enganada. Todos pensarão que é depressão pós parto. Você me entendeu?!” Eu assenti com a cabeça o mais claramente que pude e Phillip me soltou.

“Agora vá e amamente meu filho.” Phillip me encarou e eu senti minha blusa sendo molhada pelo leite que escorria.

Peguei Henry rapidamente, me afundei na cadeira de balanço e chorei silenciosamente.

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CONTINUA...

24 de abr de 2015

O Acidente (+Aviso LIVE)


  Era uma da manhã e Nicholas Nakamura estava sentado em sua sala de estar, no
escuro. Fazia mais de uma hora que ele não se movia. O acidente que aconteceu
mais cedo naquela noite não parava de se repetir de novo e de novo em sua mente.

  O sinal ficou vermelho, mas ele estava com pressa e acelerou. Um borrão laranja
veio de seu lado direito, e em uma fração de segundo, houve um choque violento.

  Em seguida, o ciclista girou no ar  e caiu fora da vista, na calçada. Buzinas soaram
com raiva e ele entrou em pânico, pisou no acelerador e fugiu para longe do caos
dentro da escuridão, abalado e mantendo um olho retrovisor, até que ele chegou em
casa.

  "Por que você correu, seu idiota? "Ele nunca tinha cometido um crime antes deste e
se puniu imaginando seus anos na prisão, sua carreira destruída, sua família
despedaçada, e seu futuro acabado.

  "Porque eu não vou pra polícia agora? Eu posso pagar um advogado".

  Então, alguém bateu na porta da frente e de repente seu mundo desmoronou. "Eles
me encontraram". Não havia nada que ele pudesse fazer, a não ser se entregar.
Fugir só iria piorar as coisas. Seu corpo tremia enquanto ele se levantava, foi até a
porta e a abriu. Um policial estava ali, sob a luz da varanda.

  "Senhor. Nakamura? ", Perguntou o oficial, sombrio. Ele soltou um suspiro derrotado.
  "Sim... Só me deixa.. "
  "SInto muito, mas eu tenho uma má notícia. A bicicleta do seu filho foi atingida por
um motorista esta noite. Ele morreu no local. Sinto muito pela sua perda. "



22 de abr de 2015

[ARQUIVO CP] 1° Temporada - Episódio 5: A Mensagem do Futuro

Olá, Creepers! Assistam agora o quinto episódio de nossa nova série do canal, que é uma adaptação da famosa Creepypasta "A Mensagem do Futuro"!

A edição primaria do vídeo ficou a cargo do nosso querido Lucas Xavier, enquanto a edição final ficou a cargo do vosso amante de ogros aqui (sim, eu mesmo). Segue aqui o canal do Lucas pra você ver alguns de seus videos hilários, nonsense e recheados de delicia: https://www.youtube.com/user/canallowbattery

Nossa edição de áudio foi composta pelo nosso editor, Felipe Medeiros (também conhecido como Argentino Crespo), segue aqui o link de seu Soundcloud, pra que vocês possam dar uma conferida em todos os seus trabalhos (o cara é foda): https://soundcloud.com/tu-pac-hipster

Confiram! Se gostarem, não se esqueça daquele like maroto e comentem ai embaixo o que acharam \o/


Link para a história original:

21 de abr de 2015

O Caderno de Couro

Escrito e produzido por: Mohamed AKI

Eu não consigo descrever como estou me sentindo agora. O que eu estou passando é algo tão fora do normal, eu estou quase convencido de que eu finalmente enlouqueci.
Quase.
Minha esposa, Bia, morreu durante o parto. Ela era linda, engraçada, inteligente e teimosa. Uma mulher cuja risada era tão alta que comer em restaurantes era sempre um desafio, e cujo olhar era tão intenso que fazia minhas mãos tremerem. Eu perdi ela, enquanto ela dava à luz a nossa filha.
Sam.
Claro, eu poderia ter um ressentimento de Sam. Por tirar o que já foi meu de uma forma que nada mais pode ser. Por tirar o que era tão verdadeiramente e totalmente puro. Mas não o fiz. Eu sabia que Bia não iria querer qualquer ressentimento. Ela não iria quer que nossa única filha tivesse sua vida arruinada pelo ódio.
Mas isto não é sobre luto. Isto não é sobre a dor de perder para sempre algo que você amou. Não é sobre essa dor,quase que física,que te rasga a alma. Trata-se de algo muito mais sinistro.
Minha filha era animada, sempre correndo e gritando, pulando para cima e para baixo – aprontando desde pequena. Então, pro seu sexto aniversário, uma ida com os amigos ao cinema tinha deixado tão cheia de energia que eu mal consegui acompanha-la quando ela  mergulhou e se esquivou entre as pessoas na calçada. Ela ocasionalmente iria voltar atrás, através do mar de pessoas e gritar: "Papai, vamos lá!" Em um tom que era quase petulante. Eu não poderia deixar de amá-la.
Eu tentei persegui-la, eu realmente tentei. Ela estava muito ocupada olhando para mim quando ela saiu correndo para a rua, e os ônibus não teve tempo de parar. Um som de algo quebrando, e o mundo ficou em silêncio. Eu embalei sua forma, agora distorcida em meus braços, em choque demais para chorar, muito ferida para mover. Tudo o que eu podia sentir era o sangue quente entrando suavemente em minhas roupas. No estado de choque em que estava, eu poderia apenas pensar em como eu iria lavar meus jeans. Parece horrível, eu sei - mas uma perda como essa  que rasga tudo em você e te deixa com apenas uma fração do que nos torna humanos.
A semana seguinte, era um borrão. Eu não consigo saber quando as coisas realmente aconteceram, entre amigos e familiares tentando me confortar, e os meus soluços uivados que iriam escapar a qualquer momento - uma porta batendo, o zumbido suave do frigorífico ou vozes rindo no rádio.
Eu fui ao funeral dela todo vestido de preto. Por “vestido”, não me refiro apenas às roupas, a minha própria essência estava negra. Eu não conseguia sentir ou pensar, e o dia continuou enquanto eu seguia, como um homem morrendo se afundando na água. Todo mundo queria me falar sobre Sam, e como ela era perfeita – que ela era um anjo, como se eu não soubesse. Como se eu não tivesse percebido o presente que a minha própria filha era.
Então um homem, se destacou do resto, enquanto ele se aproximou de mim e me entregou este grande livro de couro. Eu achei, no momento, que ele era um pai de um dos amigos de Sam, entregando-me uma coleção de suas fotos juntos. Ou talvez eu estivesse muito apático para sentir suas mãos frias, e como ele nunca mencionou a minha filha nenhuma vez.
Durante um mês, eu fiquei perdido. Bebi, e fiquei em nosso apartamento, agora vazio, sozinho, assistindo filmes caseiros antigos – tão “dormente” agora, até pra chorar. Foi só quando a minha irmã chegou, quando ela segurou a minha mão e conversou comigo, que eu comecei a sair da minha concha. Ela sentava e ouvia as coisas mais fúteis que eu dizia, e gentilmente me estimulava a sair da minha depressão. Não completamente, mas o suficiente para eu começar a viver o que era quase uma vida real novamente.
E foi aí que eu abri o livro. Eu tinha decidido lembrar de Sam por toda a alegria que ela me deu, e estava preparado pra refletir sobre sua vida sem me sentir miserável.
Eu abri a primeira página. Era essencialmente uma grande montagem, cheio de fotos Polaroid de minha filha crescendo. Franzi minha testa. Elas foram tiradas de uma certa distância, ligeiramente desfocadas - e eu estava em algumas delas.
Comecei a me sentir mal, mas esperava que as fotos seguintes me dessem alguma explicação. Eu criei várias teorias de como o homem obteve estas fotos, desesperado para ver os momentos da vida da minha filha sem um sentimento de apreensão. As fotos foram se aproximando cada vez mais, perto de aniversário da minha filha. Eu podia ver o dia em que eu dei-lhe uma pequena moto depois que ela completou cinco anos, e os joelhos esfolados que se seguiram. O livro tinha muitas mais páginas, que eu assumi que estavam vazios.
Mas havia uma foto dela pouco antes da ida ao cinema no seu sexto aniversário – eu pude reconhecer a capa de chura rosa que ela insistia em usar, e minhas mãos em seus ombros.
Não havia nenhuma foto do acidente.
Em vez disso, sua vida continuou dentro deste livro. Seu sétimo aniversário tinha uma foto de mim e ela no jardim, coberto de tinta - com uma enorme tela no chão e uma pintura extremamente bagunçada. Seu sétimo aniversário.
Seu sétimo aniversário.
A realidade do que eu estava vendo, então me bateu e eu fechei o livro com força. Sentei-me ali, na mesa da cozinha olhando para o encadernado de couro. Isso deve ser algum photoshop sádico... eu esperava que fosse.. Alguém tinha tido tempo para aprontar essa brincadeira horrível em mim. Eu digo que eu esperava, porque essencialmente - Eu não podia acreditar na outra explicação. Se realmente houvesse outra.
Rangendo os dentes, eu decidi que eu não tinha nada a perder e continuei lendo.
Eu não posso explicar as emoções que eu senti enquanto eu vi tudo com atenção, ouvindo o som da viragem de página. Posso tentar, mas nada poderia prepará-lo para algo como isto.
Sua vida continuou, mostrando-lhe a perder os dentes de leite, seu primeiro dia ne escola secundária. Fui virando as páginas mais freneticamente, e eu comecei a notar algo. O fotógrafo estava se aproximando. Mais perto dela. Quando ela cresceu - e não em cada foto, mas a tendência geral - o fotógrafo estava ficando cada vez mais perto. Mais ousado, talvez.
Ela era linda. Impressionante. Como um adolescente que ela se parecia com sua mãe, todas as mechas em seu cabelo e seus sorrisos. Eu cresci muito, mas as fotos começaram a me mostrar cada vez menos.
Seu décimo sexto aniversário estava estranho. Um grupo de amigos dela, sentado do lado de fora, bebendo em pequenos copos de plástico, em um piquenique. Mas havia alguém no fundo. Perto dos arbustos do parque, onde esta foto foi tirada, uma figura escura estava observando. Você não o teria notado, se não fosse a pequena sombra que ele lança sobre a grama.
Eu me inclinei para trás por um momento e respirei  fundo. Isso era muito estranho. Eu estava tão emocionado ao assistir a minha menina crescer que eu não tinha pensado sobre como isso iria acabar. Momentos como este, são tão absolutamente surreais que às vezes você se esquece deles. Eu quase me senti como se estivesse assistindo a mim mesmo ver essas fotos, como este fosse um sonho, ou um programa na televisão.
Eu continuei.
A figura escura tornou-se cada vez mais presente em cada fotografia. Eu quase podia perceber suas características. Sua presença foi aumentando, e enquanto eu virava as páginas, eu esperei vê-lo desaparecer. Mas em vez disso, como as fotografias foram se aproximando de seu décimo oitavo (cada aniversário foi marcado por uma legenda embaixo da Polaroid dizendo "mais um ano."), ela já não estava em algum lugar que eu conhecesse.
Em vez disso, as fotos eram dela em uma casa mal iluminada. Seu rosto se contorcia pelo medo, mostrando todos os tipos de poses estranhas. Às vezes, ela estaria vestida como uma rainha antiga ou ela estaria vestida como uma empregada, esfregando o chão, enquanto a figura estava ainda mais perto agora. Suas pernas, ou seus braços iriam aparecer em todos os momentos em cada uma das fotos. Não importava como ela estava vestida, em cada foto o rosto tinha essa expressão desesperada de dor. Isso me matvva. Havia hematomas em seu rosto. Ela parecia magra, até mesmo doente.
Eu não aguentava mais.
Isso era doentio. Totalmente doente.
Minha menina.
E segui em frente.
A última foto que eu olhei, antes de bater o livro com toda minha força e jurar nunca, mas NUNCA olhar para ele novamente, foi de seu décimo oitavo aniversário. A legenda embaixo mostrava "Finalmente!" Na escrita desleixada.
Ela estava olhando diretamente para a câmera, chorando. Ela estava de joelhos, vestida em um vestido de noite preto - com uma maçã na boca e as mãos atadas atrás das costas. Sua maquiagem foi arruinada por suas lágrimas. Era como se ela estivesse me implorando, pedindo-me para ajudar. Mas eu não podia.
Fechei o livro e sai da sala, todo o meu corpo em convulsão com os soluços.
Eu não podia chamar a polícia, é claro. Ela estava morta.
Mas o que me manteve acordado à noite, não foi lembrar seu rosto, nem de lembrar de como sua vida poderia ter sido... nem foi a dor em seu olhar.

Foi o fato de que havia tantas páginas restantes...

20 de abr de 2015

Milhares

Você vai para a cama ás nove. Interessante, é um pouco cedo, mas você não parece se importar. Você se mexe por alguns minutos, antes de perceber...

Alguém está te observando, você tem certeza disso, e mesmo depois de olhar ao redor e não encontrar nada, você ainda sente medo.

Mas você continua deitado, encarando o quarto, e algum tempo depois, fecha os olhos na tentativa de dormir.

Não consegue.

Você ainda pode sentir algo encarando você.

Você puxa a coberta até a cabeça e o sentimento passa, então, você relaxa e fecha os olhos novamente, mas assim que seus olhos se fecham o sentimento retorna; você sente medo de mover a coberta e finalmente encontrar o que teme.

Você está muito assustado, mas mesmo assim remove a coberta, e enquanto você o faz, seu coração começa a acelerar. Você olha ao redor do quarto, encontrando nada novamente.

O sentimento some de vez, e você mesmo se critica por estar agindo como uma criança boba, e então, depois de um momento você vira para a parede e dorme rapidamente.

Mas deixe-me perguntar uma coisa: Você sabe quantos lugares poderiam ser feitos de esconderijo no seu quarto?


Eu sei. Milhares. 

Luz

Eu até pediria pra você apagar todas as luzes da casa enquanto lê isso, porque eu sei que não vai acontecer muita coisa.

Nós sempre encontramos conforto na luz, desde os tempos primórdios os homens enxergavam luz e segurança como se fosse somente uma coisa; naquela época eles usavam fogo, mas até hoje, a luz tem a habilidade de fazer com que as coisas que você desconhece, apareçam.

A luz é essencial para a humanidade, não só a luz em si, que você acende e usa no seu quarto, mas a luz como é imaginada pelos religiosos, um lugar de paz, longe das trevas.

Com o tempo, nosso relacionamento com a luz mudou. Começamos a manipular as fontes de energia, primeiro o fogo e depois com a eletricidade; logo saberíamos como iluminar um cômodo todo com apenas um toque no interruptor, mas, enquanto essas mudanças aconteciam, e a luz ficava cada vez mais fácil de usar, ninguém questionou as consequências.

Sempre houve um balanceamento entre escuridão e luz (noite e dia) e sempre foi complicado porque um nunca poderia tomar totalmente o outro... Como pode agora.

O fogo, por exemplo... Quando uma fogueira é acesa a escuridão pode desaparecer de alguns lugares, mas no fim, as chamas nunca alcançam cantos e cômodos distantes, e essa fonte de luz permitia que horas noturnas passassem calmamente.

No entanto, com a eletricidade, as horas noturnas não são mais tão escuras. Em apenas um segundo, um local que se encontra escuro pode ficar claro por completo.

Para a maioria dos predadores noturnos, isso é uma inconveniência...  Para outros é uma oportunidade.

Aliás, é mais do que isso.

De vez em quando, você o vê. Se você acendeu a luz em um cômodo completamente escuro, você definitivamente já o viu. Por apenas um segundo, enquanto a luz começa a iluminar o lugar, no canto dos seus olhos, enquanto você ainda está tentando se acostumar com a luminosidade... Você o vê.

Grande, e esquisito, parecido com uma aranha gigante, parado em (geralmente) algum canto.

E então, na velocidade de um piscar de olhos, ele some.

Acontece tão rápido que você acha que é um truque da luz, ou a sombra de algum móvel.

No entanto, pode ficar calmo, assim que você perceber que ele desapareceu... Você está a salvo.

Mas não se deixe enganar pela timidez, não é a luz que o assusta, e sim o medo de ser visto, afinal, é na luz que ele ganha forma.

Ele é de certa maneira, protegido pela escuridão; Enquanto está escuro, ele pode fazer com que os pêlos do seu pescoço se arrepiem ou te dar a sensação de estar sendo observado, mas quando a luz está acesa ele não pode agir, porque é somente com a luz que sua forma aparece.

Claro que... Na maioria das vezes, quando você acende a luz, você não o vê, e por mais que isso pareça estranho, quando você não consegue enxergá-lo, é quando você mais está em perigo.

A razão para isso, é que, se você o vê, ele some rapidamente, mas mesmo assim você sabe que o viu. E quando você não o enxerga, ele não vai fugir, afinal, seu medo é ser notado; se você acender a luz (especialmente nas madrugadas ou perto do amanhecer) e não vê-lo escapando pelo canto de alguma parede, é uma oportunidade perdida, e ele ainda vai estar lá.

Por exemplo, você está em casa, apenas mais uma noite rotineira, lendo histórias de terror antes de ir dormir... Ele está silenciosamente te esperando acender a luz só para se esconder, mas dessa vez pode ser que ele não seja tão inofensivo.


Bom... Agora pode ligar a luz.

[ARQUIVO CP] Sneak Peek: A Mensagem do Futuro (S01EP05)

Olá, Creepers! Trago pra vocês agora a prévia do quinto episódio da nova série do canal: Arquivo CP! Ele será lançado em breve, e será baseado na famosa Creepypasta "Mensagem do Futuro".

Confiram! Se gostarem, não se esqueça daquele like maroto e comentem ai embaixo o que acharam \o/


Link para a história original: