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29 de mar de 2015

Sob o Jardim - Parte V

Não leu as outras partes? Comece por aqui: Parte 1;
Simplesmente, espero que gostem.
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O solo estava difícil de ser escavado, preso junto às raízes e ervas daninhas, mas com cada pá cheia de terra e folhas caídas, essa dificuldade já não era o problema principal de Frederick; que tinha um minucioso pensamento de ter esquecido algo importante que continuava voltando e voltando à sua mente.

Depois de mais ou menos uma hora, o buraco já estava fundo suficiente, e ele esvaziou a caixa com o torso dentro dele, seguido rapidamente pelas pernas, cabeça e braços. Encerrando seu trabalho manual, Frederick estava muito satisfeito, e enquanto sorria de canto a canto revivendo o ecstasy de matar e cortar a garota em pedaços, em sua mente, ele de repente percebeu o que ele havia esquecido.

Descartando juntamente com as várias partes do corpo, havia uma mão, e naquela mão estava o anel da garota.

Ele estava aliviado. Isso era o que estava o preocupando, ele havia esquecido algo importante, mas era apenas desejo por aquele anel. O desejo de ter algo que aquela linda garota era tão apegada. De alguma maneira aquilo o excitava. A profanação de quaisquer memórias ou sentimentos que aquele anel significava para ela; agora guardado por seu assassino.

Mas era arriscado, ele nunca havia feito isso antes. Guardar memórias era um erro, ele sabia disso. Ele sabia que inúmeros assassinos foram pegos por esse motivo, mas sentar ali naquele buraco enlameado, como se acenar para ele fosse uma joia de pequeno valor na qual ele simplesmente não poderia resistir. Em fato, a vontade de possuí-lo era quase tão boa como a vontade que ele sentiu em matá-la; era incomum, mas Frederick estranhamente dispensou essas preocupações.

O buraco brilhava sob a luz da lanterna, e ele pensou para si mesmo por um momento, que isso apareceu como se fosse novo, longe de sua desgastada e desvalorizada impressão inicial de volta a sua casa.

Ele tinha que obtê-lo.

Pulando no buraco, ele pegou o dedo e agarrou gananciosamente o anel. De novo e de novo ele girou e empurrou, mas ele não saiu. Enquanto ele puxava e apertava e contorcia e forçava com todos seus esforços para tirar o anel, algo o chocou. Era o medo de ser descoberto que foi produzido por um som familiar: Um carro estava sendo dirigido por perto.

O que soou como um grunhido contínuo de um poderoso motor, acompanhada do som de rodas no chão, estimulou Frederick a tomar uma ação. Segurando a pá em sua mão, que tinha um tom de branco sedoso, ele decepou o dedo, não o separando do anel.

Guardando o dedo com o anel ainda preso, ele cambaleou para fora do buraco e começou à o encher, cobrindo o restante da garota o mais rápido possível. O barulho de motor ficou mais alto como se parecesse vir de uma direção indecifrável; ele simplesmente não podia imaginar de onde o veículo estava vindo, talvez houvesse alguma estrada por perto na qual ele não estava ciente.

Aquele som soava como se um caminhão poderoso e feroz escavasse mais perto e mais perto, finalmente a luz vazava-se pelas árvores, iluminando os feitos suspeitos de Frederick.

Faróis!

Mais e mais perto!

Os troncos agora estavam num tom de luz branca luminosa, na qual temporariamente deixaram Frederick se sentindo cego, mas apesar da proximidade óbvia, ele ainda não podia entender de onde ela estava vindo. Era como se a luz estivesse surgindo densamente das árvores, na qual o som de galhos, arbustos e ramos, arfando e rachando como se eles dessem um jeito para o veículo ter uma invariável força bruta.

Agora ele se encontrava correndo, mas não antes de pegar os pacotes, arremessa-los e guardar a pá dentro da caixa. Seu carro agora era um disfarce. O monstruoso barulho do motor agora estava sobre ele e a luz ofuscante certamente veio de apenas poucos metros, por trás.

Era isso, ele foi pego.
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Continua nos próximos domingos...

28 de mar de 2015

Porque os mortos não falam


Minha tia era uma vigarista e ela aprendeu com o melhor – seu pai. Vovô nunca deu muita importância, mas vivia pelo jogo. Passar despercebido foi, provavelmente, o que assegurou que ele nunca fosse pego. Nem uma vez. Ele tinha muito orgulho disso.

Mamãe não assumiu os negócios da família. Em vez disso ela se tornou religiosa e casou-se com um contador. É tão irônico e soa como piada, mas é verdade; papai era o melhor me ajudando com os deveres de casa de matemática. As relações mais pitorescas da mamãe foram mantidas a um braço de distância durante toda minha infância para que não me corrompessem e eu seguisse um caminho de vida mais interessante.

Tia Cassie era a única que podia me influenciar. Ela era psicóloga, o que a tornava minimamente mais respeitável. Mas tia Cassie usava sua habilidade em ler pessoas de um jeito totalmente diferente, provavelmente não intencionada pela Universidade que emitiu o seu diploma.

Tia Cassie era uma autêntica psíquica.

Ela tinha uma loja e tudo. Cristais, ervas, velas. Tudo o que você precisa para preencher o vazio místico em sua vida poderia ser comprado em sua pequena loja. Havia até uma sala privada nos fundos que era usada para leituras e sessões espíritas.

Porque meus pais trabalhavam fora, algumas vezes eu era deixado na loja onde eu ajudava tia Cassie com seus pequenos shows. Eu fazia qualquer coisa, desde brincar com as luzes até bater nas paredes. Brincar com o termostato foi ideia minha e foi bastante eficaz. Clientes vinham para ter calafrios na espinha, não é? Por que não dar isso?

Cassie ajudou a me tornar o cético que sou hoje. Me mostrou os truques de bastidores. Nós assistíamos programas de TV com mágicos e médiuns e tia Cassie explicava cada passo, de uma leitura básica até como impressionar uma plateia inteira.

Depois de um episódio particularmente convincente, eu fiz a pergunta óbvia. Alguma dessas coisas poderia ser real? A resposta da minha tia era firme.

“Os mortos não falam, criança. Quem disser o contrário está fumando pela bunda.”

Era sua convicção, mais do que tudo, que me fazia acreditar nela.

Havia apenas um cliente que eu já vi minha tia recusar. Ele era velho, careca e corcunda. Tirou o chapéu quando entrou e torcia-o nas mãos enquanto falava. Cassie ficou tensa assim que o viu.

O homem alegava ter trabalhado no sistema penitenciário. Corredor da morte. Ele tinha sido responsável pela execução dos piores criminosos condenados do planeta. Em sua idade avançada isso o incomodava, devorava sua alma. Ele queria que Cassie entrasse em contato com as almas que ele havia matado para que pudesse pedir perdão, antes que se juntasse a eles.

Minha tia deu um chilique épico. Eu nunca tinha a visto tão enlouquecida. Ela gritou e jogou coisas gritando para ele sair SAIA SAIA SAIA CALA A BOCA E SAIA

Eu me escondi debaixo do balcão, com as mãos sobre os ouvidos, até que ele se foi. Mais tarde eu pensei que a reação dela era por causa do trabalho do homem. Um executor deve ser o pior medo de um vigarista.

Eventualmente eu descobri. Eu queria fazer um show de mágica para os meus pais e estupidamente pensei em me passar por um médium e fingir falar com meu avô para minha mãe, sabendo que ela sentia muita saudade. Grande erro. Mamãe ficou irada e me proibiu de ver sua irmã de novo.

Eu tinha deixado alguns livros na loja, então eu corri para pegá-los enquanto mamãe fumava do lado de fora do carro. Tia Cassie sequer perguntou o que estava errado. Ela podia ler meu rosto, depois de tudo. Eu dei-lhe um abraço e um adeus cheio de lágrimas. Mas ela me contou um último segredo.

“Criança, há uma maldição nesta família que é passada como uma tocha. Espero que qualquer deus que possa estar lá fora impeça que eu passe para você quando eu me for.”

Nós não conseguimos voltar a nos falar por nove anos. Foi quando o Facebook se popularizou e nenhuma proibição poderia me impedir de tentar contatá-la. Foi estranho. Ela tinha uma vida difícil, diagnosticada com um transtorno esquizofrênico que acabou com seus negócios. Para pagar as contas ela teve que trabalhar de verdade e com seu negócio, também se foram seu entusiasmo e paixão pela vida.

Um dia eu cheguei em casa e havia uma mensagem na minha caixa de entrada que fez meu estômago cair ao chão.

“Te amo, criança. Lembre-se do que eu te disse.”

Disquei o número dela, já chorando. Nenhuma resposta. O que não me impediu de discar de novo e de novo...

Eu estava muito atordoado para dizer a minha mãe. A polícia fez isso por mim no dia seguinte. Acidente de carro. Motorista bêbado.

O funeral foi um borrão. Parentes que eu nunca tinha visto em carne e osso lotando a igreja. Sentei transtornado entre meus pais na primeira fila, meu cérebro tentando descobrir o que era que minha tia queria que eu lembrasse.

Seguimos o cortejo fúnebre para o cemitério em um silêncio mortal. O padre deu suas últimas palavras e então fui deixado sozinho em sua lápide, ainda me esforçando para lembrar. Trechos de conversas dos meus pais flutuavam dentro e fora de minha atenção. Se apenas Cassie não tivesse sido tão enigmática.

“- esperando uma pequena participação. É uma vergonha.”

Pequena participação? Isso me incomodou. A igreja tinha ficado praticamente lotada. Me virei para dizer alguma coisa e finalmente compreendi.

Atrás dos meus pais havia uma série de pessoas, todos de pé olhando o morto a frente. Meus pais não estavam prestando a menor atenção neles. O padre murmurou condolências e se desculpou, andando bem no meio da multidão, sem perturbar uma única alma.

À frente do grupo, exatamente como o dia em que a vi pela última vez, estava Cassie. Todos os “descanse em paz” do mundo não teriam feito a ela bem algum. Sua boca estava aberta, escancarada e foi assim que soube. Sei qual era a maldição da família. Sei porque os mortos não falam. Eles estão ocupados demais gritando.




[ARQUIVO CP] 1° Temporada - Episódio 4: Cola na Prova

Olá, Creepers! Assistam agora o quarto episódio de nossa nova série do canal, que é uma adaptação da famosa Creepypasta "Cola na Prova"!

A edição primaria do vídeo ficou a cargo do nosso querido Lucas Xavier. Segue aqui o canal dele pra você ver alguns de seus videos hilários, nonsense e recheados de delicia: https://www.youtube.com/user/canallowbattery

Nossa edição de áudio foi composta pelo nosso editor, Felipe Medeiros (também conhecido como Argentino Crespo), segue aqui o link de seu Soundcloud, pra que vocês possam dar uma conferida em todos os seus trabalhos (o cara é foda): https://soundcloud.com/tu-pac-hipster

Confiram! Se gostarem, não se esqueça daquele like maroto e comentem ai embaixo o que acharam \o/


Link para a história original:

24 de mar de 2015

Blackbirds

Jeremy e Anthony tinham o hábito de caçarem juntos. Como todos os bons amigos no Colorado, subiam as montanhas, localizavam os pássaros, e atiravam.

As montanhas ficavam cobertas por uma branca e gelada camada de neve, mesmo durante o verão.

Porém, naquele dia algo estava errado.

Os pássaros circulavam no céu, em um movimento estranhamente coordenado. Excitado, Anthony sugeriu que se aproximassem do local para atirar nos pássaros, pois os movimentos deles estavam fáceis de prever. No entanto, quando chegaram ao local, viram algo terrível.

Era uma criatura. O corpo dela parecia humanoide, mas suas pernas e braços possuíam ossos que rompiam a pele, tornando-se visíveis. A pele possuía cortes em forma de pássaros, como se fossem tatuagens. O único orifício em seu rosto, era uma boca rasgada, com uma língua esponjosa que pendia para fora. A garganta de Jeremy começou a inchar e suas mãos começaram a suar quando ele liberou um tremendo grito de desespero.

Anthony preparou o rifle e atirou diretamente na testa da coisa, enquanto ela se arrastava na direção deles. BAM! O monstro tinha caído. Eles ficaram em silêncio; um tenso e angustiante silêncio.

Bam! Um pedaço de madeira foi atirado diretamente na cabeça de Anthony. Enquanto observava ao sangue escorrer de sua cabeça, como se fosse a clara saindo de um ovo quebrado, um segundo pedaço de madeira acertou Jeremy nas costas. Enquanto Jeremy caía na inconsciência, ele ouviu um leve bater de pés. Então ele acordou de repente, sendo encarado por uma criança. Era uma criança de aspecto frio, sem cor, incrivelmente desnutrida, com uma bulbosa barriga d’água. Ela estava completamente nua, exceto por algumas partes do corpo cobertas por bandagens feitas de folhas. Seu longo cabelo alaranjado cobria os olhos. Ela grunhia e guinchava ruídos excitados enquanto inclinava-se sobre ele.

Assim que Jeremy estava completamente consciente, ela o atingiu com outro pedaço de madeira. Ele acordou em uma mesa, coberto com uma mistura de restos humanos e animais. Coberta pela mesma mistura orgânica, estava a garotinha. Ela ergueu um afiado pedaço de pedra e começou a cantar “Sing a song of sixpence” e continuou “a pocket full of rye,” enquanto cortava a boca de Jeremy, de lado à lado. Sua língua foi forçada a cair para fora como uma esponja úmida. A garotinha continuou a cantar “Four and twenty black birds” enquanto cortava formas de aves por todo o corpo de Jeremy.

Ela continuou “baked in a pie” enquanto retirava os pequenos pedaços de pele dos cortes e os atirava em um pote. E ela cantou “When the pie was opened, the birds began to sing.” Então os pássaros pretos voaram para o pote e começaram a comer a pele que fora jogada ali. “Wasn't that a dainty dish set before the king” ela cantou enquanto mastigava o resto dos pedaços de pele. “The king was in his counting house, counting out his money” ela cantou enquanto usava a pedra afiada para raspar as pernas de Jeremy. “The queen was in the parlor, eating bread and honey” enquanto raspava o peito de Jeremy. “The maid was in the garden, hanging out the clothes.” Enquanto raspava a cabeça de Jeremy. Finalmente, ela cantou “When down came a blackbird and pecked off her nose.” Enquanto arrancava o nariz de Jeremy, cortava suas orelhas e quebrava seus braços.

Ela o jogou de um pequeno morro, e ele imediatamente correu para a floresta.

Ele viu dois homens e correu para pedir-lhes ajuda.

Um dos homens gritou, enquanto o outro preparava o rifle e...


BAM!



23 de mar de 2015

Alguma outra coisa

Ok, então, vou começar isso com uma daquelas coisas que os escritores fazem – quando eles te dizem que o que estão escrevendo é puramente verdade – mas realmente não importa se você vai acreditar ou não. Ninguém acredita.

Eu só quero deixar escrito, caso eu consiga me convencer de que não foi real e caso haja alguém por aí que vá me levar a serio.

Eu comecei a faculdade no outono, e tive que me mudar pra outro estado, um pouco distante do dos meus pais. E tudo aconteceu normalmente, eu acho. Eu sentia falta dos meus amigos, e até dos meus pais – depois de um tempo – mas eu tentei me focar e só prestar atenção nas aulas. Eu tenho dois irmãos mais velhos – um é advogado e o outro está fazendo faculdade de direito. Os dois foram os melhores de suas respectivas turmas e começaram a ganhar dinheiro antes mesmo de sair da faculdade. Sendo a caçula e a única mulher, eu sempre tive um padrão pra alcançar, e eu ficaria insatisfeita se fosse a única entre eles que não tivesse uma carreira. Então, eu consegui um trabalho no campus e me comprometi à só tirar notas 10.

Então, como você pode imaginar, eu não dormia muito. Me acostumei a ficar acordada durante a noite terminando relatórios e atividades pelo menos uma vez na semana. Minha colega de quarto era acostumada a levantar ás 5:30 da manhã (Ela trabalhava no primeiro turno do café do campus) e me encontrar na cama, encarando o notebook e terminando alguma atividade do dia anterior.

Ficar acordada durante a noite não era um problema para minha colega de quarto, ela dormia com as luzes ligadas de qualquer jeito. Nosso dormitório era supostamente “assombrado” e as garotas ficavam realmente assustadas a noite.

Em uma das minhas primeiras semanas aqui, um cara da turma avançada me contou sobre isso numa festa.

“Ah, sim... Eu lembro de ouvir sobre isso: Alguma garota daquele dormitório se matou no chuveiro ano passado,” Ele explicou. “Tipo, tirou as lâminas do Gillette e começou a se cortar, e não só os pulsos, eu ouvi que ela se cortou toda nos braços e nas pernas. Cortes gigantescos desde a virilha até o pé e me disseram que tinha quase uma poça de sangue no lugar que ela se matou. No entanto, nunca acharam as lâminas...”

Nesse momento seu amigo (bêbado) se meteu na conversa, “É, porque o fantasma dela guardou. Então é bom você não encontrá-la no chuveiro se não ela vai cortar você também!”

Eu não dei ouvidos... Primeiro: O mais sóbrio dos dois ficou tentando colocar a mão na minha perna e pelo que eu entendi, ele parecia preocupado, e se caso eu estivesse muito assustada, poderia passar a noite no dormitório dele.

Segundo: As lâminas de uma Gillette são realmente cortantes, mas muito pequenas. Eu não achava que poderia tirar tanto sangue de alguém. E se essa parte foi invenção, não duvido que o resto também seja.

Eu sabia que o assunto principal era verdade – o suicídio, quero dizer. Vários dos nossos colegas de classe nos disseram o que aconteceu, porque eles eram do mesmo andar no ano anterior. A garota que achou o corpo largou a faculdade (provavelmente traumatizada) e os funcionários não deram nenhum outro detalhe, então, o que algum de nós poderia dizer é que: Houve um suicídio, foi no chuveiro e tinha muito sangue – no entanto, ainda duvido que tenha sido uma poça.

De qualquer forma, ninguém mais ficaria no terceiro andar – onde se passou o acontecido – depois daquele ano, então, o andar e os chuveiros de lá estavam sempre escuros e vazios. As pessoas eram frequentemente desafiadas a passar noites lá, e jogar aquela merda de Ouija, mas nenhum deles era burro o suficiente pra tentar tomar banho lá.

Exceto por mim. Mas em meu crédito, não foi por causa de um desafio idiota.

Era a semana final do meu segundo semestre e eu estava mais ocupada com os deveres do que o normal. Pra minha sorte, o dia seguinte era o último de aula e eu tinha que terminar apenas mais um relatório. Eu fiquei acordada a noite toda pra terminar e dormi durante apenas algumas horas na noite anterior, e porque o efeito da cafeína passa em algum momento, estava ficando difícil manter os olhos abertos. Mas eu precisava de uma boa nota, e outra parte de mim queria ficar acordada pra ver até quando eu poderia durar.

Peguei-me quase dormindo na minha mesa, queixo apoiado nas mãos pela qüinquagésima vez, olhei para o meu relógio e depois para o notebook, eram 05h00 da manhã – eu ainda tinha tempo até a primeira aula, e tudo que eu precisava fazer era escrever mais algumas frases e a conclusão.

Uma parada rápida não ia me atrasar tanto, e eu precisava de um banho. Então, peguei minha toalha, meu roupão e minhas coisas de banho, saindo do quarto um momento depois e fechando a porta lentamente, tentando não acordar minha colega de quarto. Ela tinha apenas mais meia hora de sono antes de levantar.

Quando cheguei aos chuveiros, não fiquei surpresa de perceber que um deles já estava ligado. Eram as últimas semanas, afinal, e eu não era a única no meu andar que tinha passado a noite acordada. Ainda esfregando meus olhos, liguei o chuveiro e um jato de água gelada me atingiu na cabeça. Eu fiquei lá por alguns minutos congelantes, tentando esperar a água ficar quente, mas não ficou.

A água quente provavelmente acabou,  pensei, por um momento realmente chocada por causa da minha colega de dormitório, que estava tomando banho na água fria. Vesti o roupão novamente e enquanto saia do chuveiro percebi que todas as cortinas estavam abertas e o último chuveiro estava derramando água no chão.

Então, sem água quente porque alguém foi burro o suficiente pra sair e deixar um dos chuveiros ligado.

Minha irritação não ofuscou a minha vontade de ficar limpa, então, eu fui até o terceiro andar, tentando não pensar no que eu realmente estava fazendo. Todos no dormitório tinham uma chave específica para o seu respectivo andar, e por um momento me perguntei se isso seria necessário, mas como eu esperava, o terceiro andar estava destrancado. Mas que bela segurança...

Eu observei o espelho enquanto entrava e havia alguns desenhos que lembravam grafites de rua, eu estava na dúvida se esse andar realmente teria água quente, ou até mesmo só ÁGUA. Liguei o chuveiro e assim que percebi a água caindo tentei me afastar, encostando-me na parede, mas isso não impediu que a água me atingisse no ombro. Estava marrom e gelada, mas eu esperei, até que a cor simplesmente desapareceu e a temperatura da água ficou aceitável – não completamente morna – mas aceitável.

Eu não vou mentir, estava assustada lá dentro. Não horrorizada – não acreditava em fantasmas desde os cinco anos de idade – mas definitivamente assustada.

Havia um estranho cheiro metálico lá... O encanamento daqui deve estar uma porcaria, só pode ser isso que está fedendo a ferrugem... Tentei me convencer, mesmo que uma voz na minha cabeça tentasse gritar “sangue

Eu decidi terminar meu banho o mais rápido possível e sair de lá assim que acabasse.

Mas quando terminei de lavar o cabelo, comecei a me sentir melhor. O tempo estava começando a esquentar e pensei em usar shorts, então, por que não passar mais alguns minutos raspando a perna? Meu trabalho estava quase pronto, eu só iria para a aula em duas horas e a única coisa que estava realmente me assustando lá, era o barulho no chuveiro – havia culpado o encanamento novamente –.

Enquanto eu passava a Gillette nas pernas, comecei a pensar nas provas finais e o quanto eu queria tirar 10, mas mesmo assim, algumas das minhas notas estavam medianas.

Acho que não me concentrar foi o que me fez esquecer a Gillette e me cortar... Foi apenas um pequeno corte, nada que eu já não estivesse acostumada, mas a dor inesperada me fez derrubar a lâmina, e enquanto eu me abaixava pra pegar, notei algo.

Havia algo no ralo, e não parecia um bolo de cabelo ou algum objeto, era alguma outra coisa. Era do tamanho de um punho pequeno, como se fosse de criança, e era branco feito neve, o que deixava ainda mais óbvio alguns pêlos que estavam por cima. Por um momento pensei em mármore, ou... Qualquer outro tipo de pedra?

Em um momento de curiosidade – ou simplesmente burrice – me ajoelhei e tentei observar mais de perto, começando a cutucar o que parecia pêlo e tentando me convencer que era algum colar que alguém havia deixado cair lá dentro.

Antes mesmo de abrir o ralo, eu podia ver a coisa se mexendo...

Joguei a telinha pro lado com uma sensação de triunfo e então a coisa começou a sair e vir na minha direção, parecia se mexer com a própria força e eu podia ver algumas marcas abaixo da superfície pálida... Pareciam ossos?

Como?

Senti o medo crescer em mim e comecei a levantar, caminhando pra trás, mas minha incapacidade de acreditar em fantasmas não me deixou correr.

Enquanto a coisa começou a sair de lá, eu percebi que ela começou a se ‘abrir’. Não sei como descrever isso de outra maneira. Quatro dedos começaram a se abrir e revelar o que pareciam ser roxas marcas de violência. Um lado estava melado, com algo que parecia pus saindo de um lugar onde supostamente deveria estar localizado um... Dedão?!

Eu arregalei os olhos assim que percebi que realmente era uma mão. A palma, não era muito maior do que a de uma criança, mas cada dedo parecia ter mais de 20 centímetros cada, com juntas machucadas e no final dos dedos, uma unha.

Na verdade, a palavra ‘garra’ pode definir melhor o que aquilo era. Algumas estavam quebradas, deixando apenas a metade, mas as que não estavam, eram imensas, fazendo os dedos da coisa parecessem ainda maiores. Elas eram grotescas e sujas, mas não deixavam de lembrar lâminas afiadas nem por um momento.

Agora, durante todo o tempo que levei pra observar isso, eu não me importava mais se eu estava acreditando em fantasmas e o quão infantil isso soaria, ou se eu estava sem roupa e minha perna ainda estava completamente coberta de creme de barbear. Eu ia sair dali.

Comecei a andar pra trás, e usei uma das minhas mãos para abrir a cortina do chuveiro, mas estava tudo muito escorregadio e não demorou muito até que eu batesse minha bunda no chão. Quando eu caí, meu tornozelo encostou-se à mão da coisa, era gelada e macia, como algo que você deixa muito tempo dentro da geladeira. Os dedos se mexeram com o contato.

Fiquei de joelhos e por um momento pensei que pudesse me arrastar para fora, mas enquanto eu tentava, eu senti os dedos se agarrarem em mim. Senti uma dor horrível e quase insuportável quando as unhas da coisa se fincaram em mim.

Eu olhei pra trás e por um momento parecia que a coisa ainda estava tentando sair, milímetro por milímetro, de dentro do ralo. Eu podia ver as marcas dos ossos abaixo da pele pálida e o começo do cotovelo, mas não parava de segurar meu tornozelo, e eu não podia evitar as gotas de sangue que começaram a cair cada vez que as unhas entravam mais em minha pele.  Tentei puxar minha perna na direção do meu corpo, mas isso fez com que a coisa segurasse minha perna com ainda mais força, senti outra unha entrando em minha perna e a dor mais insuportável de todas quando ele conseguiu alcançar meu osso. O barulho de “encanamento” estava de volta e a coisa ainda parecia tentar sair do ralo.

Foi a minha colega de quarto que me salvou – ela e o trabalho no café que ela tanto odeia. Ela disse que achou estranho acordar e não me encontrar, mas que o fato do meu notebook estar ligado a fez pensar que eu estava tomando banho. Ela percebeu também que eu havia levado as coisas de banho, mas quando foi aos chuveiros do nosso andar, não havia ninguém lá. Então, mesmo sem acreditar que eu estaria lá, ela checou o terceiro andar.

Os paramédicos disseram que eu fiquei inconsciente por pelo menos 20 minutos; e havia perdido muito sangue. Quando eles me acharam, eu estava com vários arranhões e cortes no meu quadril e nas minhas pernas. Havia alguns cortes pequenos – mas a grande maioria foi profunda e grande –.

A área pior foi no meu joelho esquerdo, os médicos passaram horas tentando ajeitar.

Eles me perguntaram se eu havia utilizado algum tipo de droga ilícita, e eu disse á eles – sinceramente – que não. Então, eles continuaram me perguntando se eu tinha certeza pelo menos umas dez vezes, e depois mandaram um psiquiatra conversar comigo.

Eu estava bastante dopada por causa dos remédios pra dor, mas ainda assim, levei alguns dias pra conseguir conversar com a minha psiquiatra normalmente. Ela me disse que nada além do normal foi encontrado nos chuveiros além de mim – nua e sangrando no chão –. Ela disse que as alucinações são sintomas normais de quem fica muito tempo sem dormir.

“Mas então, como consegui estes cortes?” Eu perguntei.

Ela não tornou as coisas mais fáceis pra mim, “Você fez isso em si mesma, querida. Você estava estressada e cansada, você não é a primeira estudante a ter um colapso durante as provas finais.”

Bom, eu estou começando a acreditar no que ela disse sobre as alucinações, mas eu sei que não foi uma alucinação que me deu esses cortes. Eu não tinha nada afiado ou grande o suficiente pra me cortar desse jeito – nem nos chuveiros, nem no meu quarto, nem em lugar nenhum. Eles acham que eu joguei minha lâmina fora, mas quando eu perguntei á minha colega de quarto, ela disse que estava lá, do meu lado, exatamente onde eu havia deixado, e sem um pingo de sangue.


E esse é o motivo pelo qual eu decidi deixar isso aqui para outras pessoas verem, eu sei que o que eu lembro não faz sentido e deveria ser impossível, mas eu não iria me sentir bem ficando em silêncio sobre isso. Eu quero que as pessoas saibam: Não acho que aquela garota tirou a própria vida no chuveiro ano passado... Acho que alguma outra coisa a matou.

22 de mar de 2015

A Experiência - Dias Finais

Finalmente, A última parte de "A Experiência". 
PS: Pode parecer sem nexo, mas se você se lembrar da tese da Experiência, você verá que existe um sentido sim. (Meio confuso, porém, há um sentido nisso tudo).
Sem mais delongas -e/ou Easter Eggs-: "A Experiência - Dias Finais". Espero que gostem.
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Dia 21
11/4/2009
7:30 AM

Tive um sonho na última noite, no qual eu estava numa sala iluminada e confortável. A janela estava aberta e o céu lá fora era azul. Tudo estava quieto, exceto por mim. Eu estava sentada na cama, chorando incontrolavelmente. Minhas bochechas estavam encharcadas e as lágrimas rolaram abaixo até caírem no meu colo.

Senti um pesado fardo de culpa no meu estômago. Isso fez a linda sala soar como uma presença obscura. Algo estava errado comigo. Quando eu pensei que estava chegando perto de descobrir o que isso era, Eu acordei em outra sala, ainda sonhando. Essa viagem foi como uma eternidade.

Agora que estou acordada, minha face ainda está molhada. As lágrimas pararam, mas elas ainda gotejam ás vezes. Não sei por quê, mesmo consciente. Tabitha e Aspen estão abraçadas juntas, em sono no sofá na minha sala. Essa sala real não tem nada a ver com a do meu sonho. Ela é fria e congelante, e preenchida com máscaras negras nas paredes, demonstrando todos os tipos de expressões terríveis.
Por quê a Aspen mutilou o cabelo dela? Tabitha não tem nada com isso. Há grandes manchas vermelhas de onde parece que as mechas foram arrancadas. Essas não foram os participantes que eu escolhi. Esse não era o plano, estou certa disso. Mas tentando enquanto posso, Eu sou incapaz de lembrar exatamente para que o experimento foi designado para provar. Há uma hipótese na qual eu estive me aproximando... Foi tudo uma ilusão?
Por que eu estava mesmo na mansão, e não na cabana? Eu acordei e encontrei esse laptop aqui, e me lembrei que estou documentando algo. Eu não sei onde meus assistentes estão agora, mas quando eu digo seus nomes mentalmente, posso sentir uma porta mental resistindo aos meus esforços para abri-la. Não posso ver suas caras, mas há traços visíveis de suas existências em minha memória. Eles são como marcas de giz em uma cena de assassinato. Eles parecem pertencer a mente de outro alguém agora.
Mais que tudo, seja lá como for, eu gostaria de saber onde todas essas vozes horríveis estão. Soam como um banquete cheio de pessoas famintas fora da minha sala, preenchendo o espaço da mansão. Me sinto vagamente obrigada a responde-las. Estarão elas me esperando? Suponho que eu tenho uma escolha. Irei sair para responde-las.

2:15pm
Maxwell terminou de cavar o poço. Ele me encontrou, finalmente. Oh, você devia escutar o esplendor da casa enquanto ela me cumprimenta. Aspen e Tabitha estão dançando em minha volta, com os braços unidos. Estamos assistindo o Garett e o Edward se contorcerem enquanto eles estão dependurados pelos pés, do teto do porão. Eles ainda estão vivos. Mas é excelente como eles se contorcem ainda mais, quando a Tabitha e a Aspen cantam minha canção para eles:
“Os porcos estão pendurados para secar
O branco veio para preencher seus olhos
Suas gargantas irão se abrir por inteiro
Para o mundo todo olhar profundamente para dentro deles
E agora sabemos
Agora sabemos porquê
Nossas pérolas foram escondidas dos suínos”
Vejo grandes coisas no futuro da Aspen. Ela sabe disso. Garotinha preciosa. Ela será graciosamente recompensada. Ela soube que a Mestra esteve aqui. E agora eu realmente estou.

Dia 22
11/5/2009
3:30 PM

Não conseguimos encontrar aquele leitão, Elija. Ele talvez seja esperto demais para saber que sua hora chegou. Ele talvez esteja atento ao som dos gritos vindos do porão. Estou certa de que mesmo um ingênuo homem de 25 anos possa distinguir os berros de um homem sendo torturado, e os inconscientes, gritos de um homem a metros de distância de sua morte iminente.

Ainda, Tabitha fez algo que me decepcionou. Eu disse à ela para não enfiar a lâmina muito fundo quando ela fosse empalhar sua cavidade peitoral. Seria um erro cabeludo que poderia resultar na perda de um brinquedo perfeitamente bom. E o Edward era meu brinquedo favorito... Mas não Importa! Para o fundo do poço ele vai! Ainda temos o Garett!

Maxwell está diferentemente abatido. Eu estou certo de que ele não está respondendo tão bem à experiência como as garotas estão. Até por quê, ele já havia servido ao seu propósito. Percebo que teremos de amarrá-lo se não pudermos encontrar o Elija até o pôr do sol.

Dia 23
11/6/2009
2:00 AM

Vi minha mãe em um sonho. Foi tudo muito confortável novamente. Estávamos fora, e era verão e tudo estava bem novamente. Eu deveria ter uns cinco anos de idade. Ela estava me empurrando numa gangorra no playground. As outras crianças estavam rindo e brincando com seus pais também. Daí eu acordei.

Fui acordada por uma dor terrível. Me encontrei enterrando minhas unhas em minha própria carne. Eu estava rasgando meu braço tão fortemente que minha pele estava partida. Mas eu queria ficar. Eu queria viver lá, naquele sonho. Eu não queria acordar mais.

10:00 PM
Elija realmente provou ser um leitão muito astuto. Ele é mais esperto que eu pensei. Ele esteve rabiscando os nomes de todos que morreram, nas árvores. Como ele soube do ritual? Ele deve ter fuçado na livraria. A filha dos Edmonds escondeu seus esforços frustrados de mim em algum lugar por aqui. Ainda assim, isso nunca foi nada mais que um joguinho idiota.
Posso senti-los agora, seus espíritos. Eles estão tentando retirar o Mestre do meu coração mas eu quero que ele viva em mim para sempre. Irei lutar com dentes e garras contra qualquer um que tentar tirar a mansão Rosewood de mim.
A morte será muito boa para aquele bastardinho quando eu encontrar ele.

Dia 24
11/7/2009
5:00 AM

É dia de entrevista. Infelizmente, isso não parece ter mais um “fundo científico” para ser quebrado aqui, mas demos grandes passos rumo a certas outras áreas de estudo. Esse é o resultado final no qual eu trabalhei para. Estamos todos no porão agora, sentados em uma rodinha (como no jardim de infância, quando a tia conta historinhas). Minha mente estava muito arruinada antes de compreender que minha experiência original estava arruinada.

Isso aconteceu quando as reais descobertas estavam sendo feitas. Certamente, Eu não pude parar de documentar isso só por conta do Mestre.
As cobaias irão dizer à você um pouquinho sobre eles mesmos mais tarde. Eles nem mesmo parecem se lembrar de quem eles foram, mas é aí que com certeza um grande sucesso nasce. Olhe como essas criaturas se envolveram em um curto período de tempo. Eles eram as almas mais ardilosas. Agora, olhe que grandes serventes da mansão Rosewood eles se tornaram.
Deixe me transcrever isso para você:
“Conte ao Mestre sobre nosso sucesso”, eu os disse.
Garett:
“Apodreça no inferno, sua puta.”
-Nota- Eloquente, mas afiado. Sempre adorei esse porquinho mais que os outros.
Aspen: “Amghghgm Ammm mghghg”
-Nota- Nessa manhã, Eu a disse para cortar sua própria língua com uma faca na cozinha. Ela seguiu as ordens sem hesitar. Uma verdadeira soldado, aquela ali.
Tabitha:
“Quando o poço estiver limpo
Todos nós iremos ouvir a mais linda voz
Vinda para purificar o barulho
De um pobre mundo.”

-Nota- Mesmo enquanto ela dança, ela canta. Essa ama entretenimento. Eu devo mantê-la depois de tudo.

Elija:
" "
-Nota- Alguns serventes precisam ser sacrificados pelo bem das fundações da casa. Essa foi a resposta que um homem morto dá. Se você pudesse ouvir o que temos a dizer enquanto estivemos escavando suas entranhas com pás de jardim... Acho que você poderia dizer que plantamos uma semente de retribuição nele.

Dia 25
11/8/2009
6:30 PM

Apenas os mais fortes sobreviveram ao experimento. Apenas aqueles com perseverança podem viver para servir a mansão Rosewood. Estivemos duvidosos no começo. Mas não pensamos que algum deles iria sobreviver a transformação requerida para virarem serventes verdadeiros. Mas estávamos errados. É o amor que temos que documentou isso tudo para você.
Algumas vezes me pergunto quem você é, leitor. Á quem essas palavras chegaram? Elas te fizeram compreender a bravura dos bravos participantes que documentamos tão minuciosamente? Estou certa que esse ilusório Dr. Sandaval não pode continuar existindo. Ele irá ter cumprido a tarefa de entregar esses arquivos para alguém por enquanto. Me pergunto se ele já se tocou sobre nosso experimento em primeiro lugar. Eu acho que a única coisa que ele se importava era sobre como ele poderia nos foder toda vez que nós viajávamos para esse escritório por horas.
Posso ser o Mestre, mas Patrícia ainda sou eu. Nos lembramos de T-U-D-O.
Mas para quem mesmo eu estou falando? Adoraria saber. Eu amo entender o que faz suas entranhas se contraírem, leitor. Em que lugares, escuros e profundos você esconde coisas ocultas em sua mente?
Quer saber sobre o Maxwell? Ele tentou me derrubar novamente. Aquela cobrinha. Eu soube que ele iria tentar algo, eventualmente. Com certeza todos pensaram que ele era um grande herói de primeira, quando ele matou o zelador e fez o Mestre feliz. Mas nós sabemos no momento em que passamos os olhos nele: Ele não teria estômago para o que estava por vir. Não como Aspen, aquela que ele nem mesmo se prestava para lamber seus pés.
Como punição, quebramos ele, do mesmo jeito na qual se quebra uma cadeira de descanso. Arrancamos seus braços e pernas e enfiamos ele numa pequena e boa mala, e o enviamos para o fundo do poço. Ele estava vivo (ainda). Talvez ainda esteja vivo ainda. Não é tão fundo. Talvez eu irei ver se ele ainda está gritando lá embaixo, com seus braços e pernas esmagados sobre ele como uma aranha morta.

Dia 26
11/9/2009
2:30 AM

Estou eu sonhando agora? Me sinto quente. Está muito escuro lá fora, mas o calor do meu sonho está dentro de mim de novo. Posso ver a face dos meus pais. Se vocês estiverem lendo isso, mãe e pai, Eu te amo. Eu amo vocês muito, e isso dói pois vocês nunca mais conseguirão me amar depois disso. Espero que vocês saibam que eu lutei a cada passo por todo o caminho.

Por favor Deus, deixe isso ser real. Não deixe isso ser um sonho. Eu quero que isso acabe logo. Eu quero que todos saibam que lugar é esse. Aspen e Tabitha se foram. Não pude deixa-las prosseguir daquele jeito. Eu lutei e lutei par ver claramente, e Eu posso finalmente ver que elas são criaturas muito lamentáveis. Eu tive que encerrar suas vidas.
Ao menos Tabitha estava disposta. Ela olhou tão graciosamente pra mim quando eu levantei a faca para ela. A perfuração no peito dela (que ela fez para empalhar a si mesma), não foi o suficiente. Ela teria que terminar essa perfuração se eu não conseguisse fazê-la. Aspen foi mais difícil. Ela se esquivou de mim como um rato correndo e olhando para trás com seus olhos de carvão, cegos.
Eu tive de dizê-la que o Mestre almejou isso. Mestre almejou tudo pra ela, tudo para terminar tudo isso. Não era um sonho? Não podia ser real, nenhum de nós poderia ser possivelmente ser real também. E ainda, eu a assisti fazer isso. Eu senti o chão frio rachando meus pés enquanto eu segui ela pelo poço escavado. Eu senti o vômito vazar pelo meu queixo enquanto me sentia com fortes náuseas, ainda recusei-me a evitar o meu olhar a partir da visão de seu recheio, enquanto pedras d’água desciam pela sua garganta, enquanto ela não podia respirar mais. Ela foi uma boa soldado até o fim.
E agora, as sereias estão vindo. Elas cantam uma canção de ninar. Elas estão cantando para meu adormecer, junto com toda o alvejante que eu já bebi. Posso ainda me lembrar os começos dessa experiência. Eu tinha as melhores intenções; Eu tinha tanto zelo para ver na psique humana. Mas o que eu encontrei era um abismo desesperado para ser preenchido: com amor; com ódio; com religião; com dúvida; com medo. Eu tenho olhado dentro do poço da alma. É sem fim. É corrompível.

Mas quem sou eu agora para dizer essas coisas? O que eu sei... Não posso nem mesmo lhes dizer quando a corrupção em mim foi iniciada. Foi um longo tempo desde que cheguei aqui. Isso me trouxe a esse lugar. Isso me ensinou que eu irei encontrar um jeito. Eu sei que eu estou sentindo muito por tudo isso. Muito mesmo. E eu não tenho mais lugar nesse mundo. Eu talvez nunca mais tenha um lugar para começar novamente. Mas pelo menos agora, Eu posso morrer com esse fulgor em mim. Eu posso morrer sabendo exatamente sabendo quem, ou o que, eu sou.
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Fim

21 de mar de 2015

O jogo do celular - Parte III - Final

Então eu fui para a escola um dia e nove de nossos colegas de classe haviam desaparecido, incluindo Sam. Estava um tumulto. Ninguém sabia o que havia acontecido com eles, ou onde eles tinham ido. Ninguém exceto a pessoa que tinha feito isso: Stephanie.

Se a quantidade de tempo prolongado era reduzida pela metade cada vez que você trazia alguém para o jogo, então nove pessoas teria dado a ela um pouco mais de duas semanas. O que significava que seu tempo estava acabando novamente esta noite.

Eu a confrontei sobre isso depois da escola.

“Stephanie, a polícia está ficando desconfiada. Você não pode mais fazer isso, e eu não posso assistir você fazer isso de novo. Isso é errado. É perverso!”

Ela me olhou em silêncio. Continuo me lembrando do jeito como me olhou naquele dia. Nesse momento, estava claro que a garota que eu conhecia e amava estava muito longe, e tudo o que restava era uma concha má e sem alma que se agarrava à vida e temia a morte mais do que tudo. Mas, ainda assim, eu continuava a amando mais que do tudo. Ela era minha primeira e única namorada, e eu não poderia deixá-la ir. Eu não poderia deixar nada acontecer com ela.

“Tudo bem,” disse ela. “Eu não farei isso de novo. Eu aceitei o que preciso fazer, e vou fazer isso. Ninguém mais morrerá por minha causa.”

“Stephanie.... tem certeza? Talvez nós possamos encontrar um item de proteção para você se procurarmos agora.”

Ela olhou para baixo triste. “Não adianta correr por isso agora. Eu só quero passar a noite com você hoje, tá? Mais uma noite juntos. É tudo o que quero.”

Meu coração estava despedaçado. Tudo era tão melancólico e melodramático. Eu estava tão triste ao ouvir aquelas palavras, por pensar nela sendo levada.

Eu vomitei. Vomitei e vomitei de novo e de novo numa lixeira tentando lutar contra um fluxo interminável de lágrimas.

Naquela noite ela dormiu comigo de novo. Doente, fraco e cansado, eu dormi por pura exaustão ás 3:00 a.m.

Menos de uma hora depois, então, eu acordei com um sobressalto.

Stephanie se foi.

Eu sentei e olhei em volta aterrorizado, então encontrei um bilhete. Eu o li.

“Jack, me desculpe por mentir pra você de novo, mas eu ainda não estou pronta para morrer.”

Um calafrio desceu em minha espinha. Continuei lendo.

“Eu descobri o que tenho que fazer. Não se preocupe, como prometi, ninguém mais vai morrer por minha causa.”

O que ela poderia estar pensando? Olhei no meu quarto. De repente, notei que a pistola calibre .45 que meu pai me deu no meu aniversário de 18 anos tinha desaparecido, e tudo fazia perfeito sentido.

Foi por isso que ela quis passar a noite comigo. Ela queria minha arma. Ela estava planejando ir até Rottenbacher e pegar SEU item de proteção.

O mais rápido que pude,vesti umas roupas e corri até minha caminhonete. Voei até o apartamento de Rottenbacher.

Quando cheguei lá, a fechadura tinha levado um tiro e havia vozes vindo de dentro.

Eu empurrei a porta aberta. “O que está havendo aqui?” Eu perguntei.

Olhei em volta.Stephanie estava mirando Rottenbacher com minha pistola. As paredes do apartamento estavam cobertas com fotos de Adolf Hitler e banners com a cruz suástica. Haviam chicotes e correntes espalhados por todo o chão do quarto. Rottenbacher estava andando com seu pijama de manga comprida e com seu neo-nazismo típico, gritando com ela sobre “invasão de domicílio” e “chamar a polícia” e isto e aquilo. Ele estava usando até aquela estúpida braçadera nazista. Era óbvio que esse cara era um fanático maluco.

Stephanie gritou para ele. “Cale a merda da boca!”

Ela disparou alguns tiros na parede e fez uma careta.

Lembro de meus ouvidos zumbindo com o volume dos disparos e uma dor aguda nos tímpanos, mas estava tenso demais para me preocupar com isso naquele momento.

“Agora me dê aquele coisa farpada de tortura que você sempre usa ou te mato agora mesmo.”

Sua voz era do mal.

Rottenbacher congelou no local por um momento e vagarosamento começou a tirar as calças do pijama.

“Você está cometendo um grande erro.” Ele disse. “Você deveria apenas aceitar o jeito como as coisas são e morrer com alguma dignidade. Você não vai muito longe com isso.”

Ele tirou o cilício da perna, de onde escorria uma pequena quantidade de sangue, e entregou a ela.

Imediatamente, ela colocou aquilo em sua perna com uma mão, desajeitada com minha pistola enquanto o apertava até machucar, e sua própria perna começou sangrar um pouco.

“Vamos, Jack.” Ela sussurrou enquanto se virava para sair.

Comecei a andar para fora com ela. Do apartamento eu ouvi Rottenbacher gritando.

“Você não vai fugir disso! Ele está vindo para você e ele vai te arrastar para o inferno por tudo o que você tem feito! Você pagará por todas aquelas pessoas!”

Eu podia ver que ela estava mancando um pouco enquanto se afastava.

Eu estava mal. Estava aborrecido com tudo. Estava aborrecido com Stephanie por ela ser tão cruel e egoísta. E eu estava aborrecido comigo mesmo, por ver tudo isso, ver todos os sinais, e não fazer nada para parar isso. Mas pelo menos agora tudo isso estava acabado.

Enquanto andava de volta para a caminhonete eu fiz uma pequena oração por Rottenbacher na esperança de que ele pudesse encontrar um novo item de proteção nas próximas duas semanas. Ele podia ser um racista bastardo, mas de algum jeito, ele continuava sendo melhor que Stephanie se o que ele disse sobre nunca ter amaldiçoado ninguém fosse verdade, e ele não merecia morrer só por isso.

Eu levei Stephanie para casa. Ela estava exausta. Eu teria dado um beijo em sua bochecha, mas eu estava tão mal que tudo o que eu queria é que toda aquela provação terminasse.

“Boa noite” Sussurrei para ela.

“Boa noite, Jack. Te amo.” Ela sussurrou de volta, saiu da caminhonete e voltou para sua casa.

Comecei dirigir para casa, exausto pelos eventos do dia.

Repentinamente, me celular comecçou a vibrar. Eu o peguei. Era uma ligação da Stephanie.

Eu respondi.

“Alô?”

A primeira coisa que ouvi foi um guincho, seguido por um som como o barulho de uma batida em sua porta.

“Jack, Socorro! Ele está aqui! Ele está aqui! ELE VEIO ME PEGAR!”

“O quê? Aguenta aí, Steph!”

Puxei uma inversão de marcha na caminhonete e corri de volta para casa dela. Stephanie estava se tornando mais frenética.

De repente, do outro lado da linha, eu ouvi o som da porta sendo espancada, seguido por outro guincho. Eu podia ouvir Stephanie gritando com todos seus pulmões, um medonho e sangrento grito congelante. Eu ainda me lembro perfeitamente de cada momento, e eu me lembro dos gritos, palavra por palavra.

“Não! Não! Eu não quero morrer” A adrenalina surgiu através do meu coração e eu afundei o acelerador.

“Não, não, não! Pare!”

Ela gritou de novo e eu ouvi o que soava como o celular batendo no chão e os gritos de Stephanie ficando mais e mais distantes.

E então, ar parado.

“Stephanie? Stephanie?! Me responde, porra!”

Sem resposta eu desliguei e chamei a polícia.

Quando cheguei na casa da Stephanie, a porta da frente estava quebrada. Estacionei mei carro em seu gramado e saltei para fora, carregando minha pistola calibre .45 comigo.

Corri para dentro, procurando pelos corredores. Tudo estava em câmera lenta.

Enão, eu entrei no quarto dela. Acendi a luz e chequei todos os cantos com minha pistola apontando o caminho. Por fim, abaixei a arma e alguma coisa chamou minha atenção no meio do cômodo. O celular da Stephanie estava caído no chão perto de sua cama.

No meio do quarto, no carpete, tinha uma pequena marca de sangue. Não era muito mais do que poucas gotas. Mas a visão mais arrepiante de tudo foi que, da borda da cama para a porta do quarto que levava para o corredor, havia um rastro de marcas de garras que ela havia deixado, como se algo ou alguém a tivesse arrastado para sua condenação.

Eu não conseguia aguentar mais. Me virei e deixei o quarto. Na saída não pude deixar de notar que ela tinha arrancado a maioria de suas unhas arranhando o carpete e elas estavam espalhadas pelas trilhas que seus dedos haviam deixado.

Saí para rua e vomitei de novo. Podia ouvir as sirenes se aproximando.

Dias passaram, então semanas, depois meses. A polícia investigou; eles me interrogaram várias e várias vezes de novo, e toda vez a minha história era a mesma. Eu contei a eles a verdade toda como eu sabia, inacreditável como era. Não acho que eles acreditavam em mim, mas todas as evidências amparavam minha história e não havia nada que me comprometesse com qualquer um dos crimes, então finalmente eles me deixaram ir.

As coisas gradualmente foram voltando ao normal.

Nossa turma finalmente se recuperou das perdas de tantos colegas, e ao longo do tempo minha mente meio que aceitou o que havia acontecido até que se parecia como um sonho distante. Eu me formei e fui pra faculdade.

Mas havia uma única coisa que ainda me incomodava, e era Rottenbacher. Ele estava absolutamente bem. Mesmo Stephanie tendo roubado seu cilício, ele nunca desapareceu como os outros.

Porém, se há uma coisa que eu realmente sei é que ainda hoje, se você vir Rottenbacher, ele ainda estará usando a braçadeira vermelha com a suástica nazista.

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Parte I aqui
Parte II aqui




17 de mar de 2015

Omegle

Por favor, me ouçam, é pelo seu próprio bem. Sinto-me obrigado a alerta-los sobre o perigo que foi liberado recentemente pela internet. Não tenho muito tempo, sinto que ele está mais próximo.

Gosto de navegar pela internet, assim como várias pessoas. Porém, as vezes a internet torna-se entediante, e quando não sei mais o que fazer, entro no site de webcams anônimas conhecido como “Omegle”. Tenho certeza que muitos de vocês o conhecem, já que o site é bastante famoso por ter aqueles pervertidos fazendo besteiras na webcam.

Bom, um dia, quando entrei no Omegle, resolvi utilizar o novo sistema, onde você é colocado com pessoas que dividem os mesmos interesses. Em adição, o sistema também permite o acesso ao Facebook para que você utilize suas informações e interesses constados por lá. Decidi tentar, e iniciei a pesquisa por webcams.

As primeiras pessoas me ignoraram, e também surgiram vários idiotas que ignorei por estarem fazendo besteiras. Então aconteceu. ELE apareceu na webcam. Um homem vestido de preto, um tipo de robe ou roupão, usando o que parecia uma máscara bem detalhada de abóbora de halloween, no entanto, eu nem saberia disser de que a máscara era feita.

O homem se aproximou da câmera e começou a acenar assustadoramente para mim. Eu já estava ficando tenso, mas resolvi me acalmar e perguntei se ele poderia retirar a máscara. O homem permaneceu em silencio, e apenas balançou a cabeça negativamente. Achei isso um pouco estranho.

O tempo passou e comecei a achar que era apenas uma piada. Ri e perguntei se era uma pegadinha. Mas o homem gesticulou para que eu ficasse quieto. Digitei dizendo que passaria para a próxima pessoa e que foi tudo muito engraçado. Então ele respondeu:

“Sei onde você está. E nos próximos três dias, onde você for, eu vou segui-lo. O que você fizer, eu verei. Saberei onde você está, com quem está, o que está fazendo e quando, e tudo que você verá de mim, será esta máscara. Então, depois de três dias. Eu vou mata-lo.”

Como se já não fosse o suficiente, quando acabei de ler a resposta dele e estava indo para o próximo chat, percebi que, de alguma forma, ele estava transmitindo a imagem dele também pela minha webcam. Eu o vi apontar com o dedo indicador para a tela, como se estivesse apontando para mim, e passar o indicador pelo pescoço, como se o estivesse cortando.

É... as vezes o Omegle pode ser assustador...


Resolvi printar a tela como evidência e segui para a delegacia mais próxima. No caminho para a delegacia, percebi em meu espelho retrovisor, que no carro atrás de mim parecia não ter um motorista. Havia apenas uma máscara de abóbora onde o motorista deveria estar.

Quando cheguei na delegacia e mostrei as fotos, os policiais me garantiram que estariam monitorando a minha área, à procura de qualquer mascarado que se aproximasse da minha casa nos próximos dias. Isso me deixou mais aliviado. Com a proteção da polícia, eu poderia seguir a minha vida normalmente.

No dia seguinte fui ao supermercado, pois estava ficando sem mantimentos, e algo muito assustador aconteceu, enquanto eu seguia para a parte de alimentos. A agitação dos clientes foi diminuindo progressivamente, até o ponto em que percebi que não havia mais ninguém no local. Chegando ao caixa, percebi que em todos os balcões havia uma máscara de abóbora. Saí correndo, mesmo sem pagar, e entrei rapidamente no meu carro, empilhando as compras de qualquer jeito no banco do passageiro e acelerando para fora do estacionamento.

Quando cheguei em casa, estava tão assustado que agarrei todas as compras e entrei, trancando todas as portas e janelas. Eu precisava me sentir mais seguro, então liguei para a polícia e perguntei se perceberam algum estranho perto da minha casa, e felizmente, não perceberam. Decidi dormir mais cedo, e subi para o meu quarto.

Quando acordei pela manhã, fiquei aterrorizado ao encontrar, pendurada na porta do meu guarda roupas, a máscara de abóbora. Peguei a máscara, a chave do carro e corri para a delegacia. Mostrei a máscara para eles, e eles me mandaram passar a noite na casa de algum conhecido, enquanto eles investigavam a minha casa.

Liguei para o meu amigo, Brad. Quando eu precisava, ele sempre me arrumava um lugar para passar a noite. Então naquela noite, segui para a casa dele e passamos a noite jogando videogames enquanto eu contava sobre a minha situação. Para a minha surpresa, ele me contou que tinha encontrado o mesmo homem um dia antes de mim, e que estaria completando naquela noite o terceiro dia.

Mais tarde, enquanto estávamos dormindo, fui acordado por um barulho muito alto vindo do quarto do Brad. Assustado, segui lentamente para verifica-lo. Fiquei horrorizado com o que vi; Brad estava na cama, deitado em uma poça de sangue, com aquela maldita máscara de abóbora sobre o peito!


Hoje é o meu terceiro dia, e estou sentado na delegacia, usando o notebook de Brad para digitar este aviso.

CUIDADO COM O HOMEM ABÓBORA!

Não sei o que será de mim, mas se esse aviso salvar o máximo de vidas possível, ficarei feliz.


http://img3.wikia.nocookie.net/__cb20130302150951/creepypasta/images/f/fc/Omegle_is_a_scary_place.png

16 de mar de 2015

Assistindo TV até tarde

É uma sexta-feira à noite. Seus pais estão fora durante o fim de semana, e deixaram você tomando conta do seu irmão enquanto eles não estão em casa. Quando você tem 17 anos, é claro que você é mais do que capaz de cuidar do seu irmão mais novo e fazer de tudo para que ele não faça nenhuma merda.

Mesmo faltando 15 minutos para meia-noite, nenhum de vocês foi pra cama ainda. No momento, você está no seu quarto terminando seu dever de casa e seu irmão está lá embaixo, assistindo TV na sala de estar.

Seu quarto fica diretamente em cima da sala, então, é sempre possível escutar a TV. Qualquer filme de ação, qualquer reality show, qualquer comercial... Você consegue ouvir cada um deles claramente.

Isso costumava te irritar bastante, mas você se acostumou a estudar com o som ao fundo, agora raramente te distrai, e se distrai, você apenas pede para abaixarem o volume – se você estiver com muita preguiça, pode apenas bater os pés no chão, eles sempre escutam você –

Mesmo estando focado no que está fazendo, você está completamente ciente do que o que seu irmão está assistindo. Você acha que é um filme de ação dos anos 70, ou algo do tipo. Naquele momento, você pode ouvir um personagem, provavelmente um chefão do crime ou qualquer coisa relacionada a isso, gritando e se vangloriando de como a gangue dele vai acabar com a gangue rival.

“Nós vamos atirar neles até eles ficarem completamente cobertos de sangue!” Seu irmão ri alto. Só uma criança sem entendimento conseguiria rir de palavras tão agressivas.

“Vamos sim, Lupo!” Um dos “capangas” respondeu.

Outro personagem diz, com uma voz tímida. “Não tenho certeza se deveríamos fazer isso, não parece certo pra mim...”

“Você tem algum problema com o plano?” O “chefão” fala, e dá para notar que ele está irritado.

Nesse momento, você não consegue mais se concentrar no dever de casa, sua atenção está voltada para o filme e você quer saber o que vai acontecer.

O outro responde, “Não, apenas acho que deveríamos—” ele foi interrompido por algo que parecia uma briga, alguém gritou e logo começaram sons que pareciam tacos de baseball batendo em alguma coisa. Seu irmão ri novamente e você não tem ideia do porque aquilo é engraçado.

O personagem tímido – ou seja lá quem esteja apanhando – continua implorando por misericórdia, mas quem o está machucando não para nem por um momento. A vítima implora uma última vez, e então fica em silencio, logo depois você pode ouvir outro som, como se algo estivesse se quebrando – provavelmente um osso – e outra discussão novamente se inicia, acompanhada de mais risadas do seu irmão.

Depois de um momento, o líder fala novamente. “Alguém tem mais alguma opinião pra dar?”

Ninguém diz nada, e no silencio, você pode ouvir seu irmão ainda rindo.

O líder continua, “Bom, fico feliz que tenham decidido assim.” Ele suspira. “Oh, merda. Agora estou coberto de sangue.” E essa fala faz seu irmão gargalhar... “Ele provavelmente não sabe o que está acontecendo, por isso ele está rindo” Você pensa.

“Dê-me um balde e uma toalha, Frankie.” Ele ordena. “Então poderemos jogar esse pedaço de merda na rua. Os ratos também precisam comer, não é?” Seu irmão simplesmente gargalha como se estivesse escutado a piada mais engraçada do mundo.

E dessa vez a risada continua mais alta e demora cerca de um minuto, isso é estranho.

Você se sente enjoado e algo te diz que você deve verificar, e que seu irmão não deveria estar vendo um filme desse tipo á essa hora da noite. Aliás, nem a essa hora da noite, nem hora alguma! Ele provavelmente vai ter pesadelos, e se for brutal como parece, ele nem irá dormir!

Você grita o nome dele e ele não responde, e depois de um momento você tenta novamente –sem resposta– talvez ele esteja dormindo no sofá, você decide descer e ir buscá-lo.

Você desce as escadas e o barulho da TV para completamente assim que você pisa no último degrau. Lá embaixo está escuro e a TV não está ligada, seu irmão não está no sofá. Você o chama novamente; ninguém responde, e depois de andar todo o andar de baixo, você finalmente se convence de que ele não está lá.

Alarmado, você sobe as escadas novamente e decide espiar o quarto dele – e o encontra – na cama. Ele provavelmente está dormindo há um tempo, já que não tem como ele ter passado pelas escadas sem ter sido visto por você. Nesse caso, você está feliz que ele está bem, e feliz que ele não está mais vendo aquele filme horrível.

Bom, você está feliz até perceber que não tem como ele ter assistido TV há poucos minutos atrás e já ter dormido.


Você sente um frio na espinha e ouve uma risada atrás de você, é a mesma risada, a que você presumiu que era do seu irmão, só que agora, ela está muito mais próxima – e alta –. 

15 de mar de 2015

[PÓ-PÓ-PODCAST] Episódio 1: Terror (ft. Montanha & Canal do Bolacha)

Fala, meus queridos! Hoje, trago pra vocês uma nova série que eu e o Montanha (Mont Designer) tivemos a ideia de tentar, e já começamos a colocar em prática. Se trata do "Pó-Pó-Podcast (nome provisório lol)", uma série que se trata de juntarmos uma galera pra falarmos sobre diversos assuntos fodas, e pra estréia da série, como não poderia deixar de ser, o assunto da vez é: Terror (filmes de terror, situações bizarras que aconteceram com a gente, entre outras coisas).

Nesta semana, os participantes foram: Gabriel (Eu mesmo), Mauricio (Toguro), Felipe (Digníssimo Senhor Simplório), Lucas (Beluga, nosso editor de videos), Matheus (Montanha) e o Caio (Canal do Bolacha).

A cada episódio que fizermos e assunto que abordarmos, convidaremos alguns youtubers pra participarem e trocar uma ideia conosco. Esperamos que gostem, e se tiverem mais algumas idéias (assunto, áudio, etc), deixem ai nos comentários! É nóis \o/


Canal do Beluga:

Canal do Bolacha: