03/06/2012

Quadros


Há tempos que eu vinha percebendo algo de estranho em minha casa. Se é que podia se chamar de casa, pois tinha um porte muito grande. Estava mais para uma mansão antiga, bem, mas isso não vem ao caso agora. Era uma casa muito velha mesmo, e como toda casa velha, haviam muitos quadros. Mas não eram quadros comuns, pinturas bonitas de paisagem, artes abstratas, nada desse tipo.
Eram retratos. E todos os quadros continham o mesmo retrato, da mesma pessoa, porém em escalas e posições diferentes.

Você deve estar pensando “retratos, e daí?”
E daí que eles não me deixavam em paz. Retratavam uma mulher com cabelos louros maltratados, roupas que deviam ser brancas, mas no quadro ficavam amareladas pelo tempo. Nestas também haviam inúmeras manchas de sangue, já secas. Sempre sorria. Mas o sorriso dela não é o tipo de sorriso que te faz sorrir junto.

Porém esta não é a parte assustadora. O motivo pelo qual eu não consigo pregar os olhos à noite é que os quadros não permanecem assim. Eles mudam.

Eu os vejo pela primeira vez ao dia. Então vou fazer outra coisa qualquer, e quando volto, a mulher já não mais sorri. Há mais manchas em sua roupa, também em seu rosto e mãos. Nestas, a loura carrega uma faca levemente enferrujada e também suja do líquido vermelho.

Eu saio correndo. Vou para a sala, e ligo minha televisão num telejornal.
Notícia da semana: uma perigosa assassina à solta. O âncora aconselha aos telespectadores que tranquem suas portas, antes de mostrar uma foto da tal mulher na tela. Eu quase caio para trás ao encarar a face pálida, raivosa e tão bem conhecida dos retratos.

Corro pela casa à procura de um deles, e não tardei a encontrar. Parei em frente à ele, a assassina estava lá. Não sorria, nem segurava a faca, parecia... assustada. Recuei. Saí à procura do meu porão, demorando um ou dois minutos para estar diante de sua porta. Abro-a, e sinto um forte cheiro de carne apodrecida e sangue.

Então eu finalmente entendo. 

Aquela casa velha tinha mesmo muitos, muitos espelhos.
 -

Isabella Krambeck da Silva  - SP

Sr. Bocalarga


Durante minha infância minha família era como uma gota d'água em um vasto rio, nunca permanecia no mesmo local por muito tempo. Nós nos estabelecemos em Rhode Island quando eu tinha oito anos, e lá ficamos até eu ir para uma faculdade em Colorado Springs. Maioria das minhas memórias estão enraizadas em Rhode Island, mas há fragmentos no fundo do meu cérebro que pertence a varias casas que vivemos quando eu era muito mais novo.

Maioria destas memórias são sem sentido e não são claras - perseguindo um outro garoto em um quintal em uma casa na Carolina do Norte, tentando construir uma jangada para flutuar no lago atrás do apartamento que alugamos na Pensilvânia, e por aí vai.  Mas tem esse set de memórias que eu lembro claro como a água, como se tivesse acontecido ontem. Eu constantemente ficou divagando se essas memórias não foram apenas sonhos lúcidos produzidos por uma um longa gripe que eu tive naquela primavera, mas no fundo do meu peito, eu sei que elas são reias.

Nós estávamos vivendo em um casa nos arredores da metrópole de New Vineyard, Maine, população 643. Era uma estrutura larga, especialmente para uma família de três pessoas. Havia alguns quartos que eu nem sequer tinha entrado ainda nos cinco meses que morávamos lá. De certa forma era desperdício de espaço, mas era a única casa disponível no mercado naquela época, pelo menos era a uma hora de distancia do trabalho de meu pai.

No dia depois do meu quinto aniversário (com a presença só de meus pais), eu fiquei com febre. O médico disse que eu tinha mononucleose, o que significava na de brincadeiras pesadas e mais febre por pelo menos três semanas. Foi uma época horrível para ficar de cama - estávamos em processo de empacotamento de nossas coisas para nos mudar para Pensilvânia, e a maioria das minhas coisas já estavam empacotadas em caixas, deixando meu quarto vazio e desconfortável. Minha mãe me trazia Ginger Ale (N.T: Refrigerante local) e livros várias vezes por dia, e essas coisas tiveram a função de ser minha forma de entretenimento pelas próximas semanas. O tédio vinha toda vez me atormentar, esperando os momentos certos para me atingir e só piorar minha miséria.


Eu não me lembro exatamente como eu conheci Sr. Bocalarga. Eu acho que foi tipo uma semana depois de eu ter sido diagnosticado com mono. Minha primeira memória da pequena criatura foi perguntar para ele se ele tinha um nome. Ele me disse para chamá-lo de Mr. Bocalarga, porque sua boca era larga. De fato, tudo nele era largo em comparação ao corpo dele - a cabeça dele, olhos, orelhas pontudas - mas sua boca era de longe a mais larga.
"Você parece um Furby," Eu disse enquanto ele folhava um dos meus livros.

Sr. Bocalarga me deu um olhar curioso. "Furby? O que é um Furby?" ele perguntou.

Eu encolhi os ombros. "Você sabe... o brinquedo. O pequeno robô com grandes orelhas. Você pode criá-lo e dar comida como um bichinho de estimação de verdade."

"Ah." Sr. Bocalarga resmungou. "Você não precisa de uma desses. Eles não são a mesma coisa que ter amigos de verdade."

Eu lembro de Sr. Bocalarga desparecendo todas as vezes que minha mãe vinha das uma olhada em um. "Eu me escondi debaixo de sua cama," ele explicou posteriormente. "Eu não quero que seus pais me vejam porque estou com medo que eles não deixem brincar juntos de novo."

Não fizemos muitas coisas nestes primeiros dias. Sr Bocalarga apenas olhava meus livros, fascinado pelas histórias e figuras que eles continham. Na terceira ou quarta manhã depois de conhecê-lo, ele me saudou com um largo sorriso no rosto. "Eu tenho um novo jogo que podemos jogar," ele disse. "Temos que esperar até depois que sua mãe vier te ver, porque ela não pode nos ver jogar. É um jogo secreto."

Depois que minha mãe me entregou mais livros e refrigerante, Sr. Bocalarga pulou de debaixo da cama e puxou minha mão. "Nós temos que ir no quarto no final do corredor," ele disse. Eu protestei de inicio, pois meus pais tinham me proibido de sair da cama sem a permissão deles, mas Sr. Bocalarga persistiu até eu ceder.

O quarto em questão não tinha móveis ou papel de parede. Seu único traço característico era a janela em frente a porta. Sr. Bocalarga disparou pelo quarto e abriu a janela com um puxão firme. Então ele me chamou para olhar o chão lá para baixo.

Nós estávamos no segundo andar da casa, mas era sobre uma colina, e por esse ângulo a queda foi mais longa do que o esperado devido a inclinação. "Eu de brincar de fingir aqui em cima," Mr. Bocalarga explicou. "Eu finjo que tem um grande e fofo trampolim embaixo da janela. Se você fingir bem forte você quica de volta para cima bem alto. Eu quero que você tente."

Eu era um menino de cinco anos de idade e febril, então apenas um pouquinho de ceticismo passou pela minha mente enquanto eu olhava para baixo e considerava a possibilidade. "É uma queda longa". Eu disse.

"Mas isso é tudo parte da diversão. Não seria divertido se fosse uma queda curtinha. Se fosse assim você podia muito bem apenas pular de um trampolim normal."

Eu brincava com a ideia na minha cabeça, imaginando-me cair através do vento frio para então quicar em algo invisível aos olhos nus de volta no ar e voltar para a janela. Mas o realismo prevaleceu em mim. "Talvez outra hora," eu disse. " Eu não sei se tenho imaginação suficiente. Eu poderia me machucar."

O rosto de Sr. Bocalarga se contorceu em um rugido, mas apenas por uns segundos. A raiva sumiu para logo o desapontamento. "Se você diz..." ele disse. Ele passou o resto do dia debaixo da minha cama, quieto feito um ratinho.

Na manhã seguinte Sr. Bocalarga chegou segurando uma pequena caixa. "Eu quero te ensinar malabarismo," ele disse. "Aqui tem algumas coisas que você pode usar para praticar, antes de eu começar a te dar lições."

Eu olhei a caixa. Estava cheia de facas. "Meus pais vão me matar" Eu gritei, horrorizado que Sr. Bocalarga tinha trazido facas para meu quarto - objetos que meus pais nunca me permitiram tocar. "Eles vão me bater e me deixar de castigo por um ano!"

Sr. Bocalarga franziu a testa. "É divertido fazer malabarismo com isso.  Eu quero tentar."

Eu empurrei a caixa para longe. "Não posso. Vou me meter em encrenca. Facas não são seguras para serem jogadas no ar."
O franzir de testa de Sr. Bocalarga se transformou em uma carranca. Ele pegou a caixa de facas e foi para debaixo da cama, e permaneceu lá o resto do dia. Eu comecei a pensar o quão frequente ele ficava abaixo de mim.

Eu comecei a ter problemas para dormir depois disso. Sr. Bocalarga me acordava com frequência a noite, dizendo que tinha colocado um trampolim de verdade debaixo da janela, um bem grande, que eu não conseguiria ver porque estava escuro. Eu sempre negava e tentava voltar a dormir, mas Sr. Bocalarga era persistente. Algumas vezes ele ficava ao meu lado até cedinho da manhã, encorajando-me a pular.

Ele não era mais tão lega para brincar.

Minha mãe entrou no quarto uma manhã e disse que eu tinha permissão para dar uma volta lá fora. Ela pensou que um pouco de ar fresco seria bom para mim, especialmente depois de ficar confinado no meu quarto por tanto tempo. Entusiasmado, ponho meus tênis e disparo para a porta dos fundos, gritando de alegria por sentir de novo o sol no meu rosto.

Sr. Bocalarga estava esperando por mim. "Eu tenho algo que quero que veja," ele disse. Eu devo ter olhado estranho para ele, pois em seguida ele disse, "É seguro, prometo."

Eu segui ele até o começo de uma trilha estreita que adentra a floresta atrás da casa. "Esse é um caminho importante," ele explicou. "Eu tenho muitos amigos da sua idade. Quando eles estão prontos, eu os levo adentro dessa trilha, para um lugar especial. Você não está pronto ainda, mas um dia, eu espero que esteja."

Eu voltei para casa, me perguntando que tipo de lugar poderia estar adentro da trilha.
Duas semanas depois de conhecer Sr. Bocalarga, a última demanda das nossas coisas estavam sendo colocadas em um caminhão de mudança. Eu estaria dentro da cabine daquele caminhão, sentado perto de meu pai pela longa viagem para a Pensilvânia. Eu considerei falar para o Sr. Bocalarga que eu estava indo embora, mas mesmo aos cinco anos de idade, eu estava começando a suspeitar que talvez a criatura tinha intenções não muito boas, considerando as coisas que ele tinha dito anteriormente. Por essa razão, eu decidi manter a partida em segredo.

Meu pai e eu estávamos no caminhão as 4 da manhã. Ele esperava chegar na Pensilvânia pela hora do almoço de amanhã, com a ajuda de um carga infinita de café e seis pacotes de bebidas energéticas. Ele parecia mais com um homem que ia correr uma maratona do que iria passar o dia todo sentado em um carro.

"Cedo suficiente para você?” ele perguntou.

Eu acenei e encostei minha cabeça contra o vidro, esperando dormir por algumas horas antes do sol nascer. Eu senti a mão de meu pai no meu ombro. "Essa é a última mudança, filho. Eu prometo. Eu que tem sido difícil para você, por ter estado tão doente. Assim que papai for promovido nó podemos sossegar e você pode fazer amigos."

Eu abri meus olhos assim que o carro começou a se mover. Eu vi a silhueta de Sr. Bocalarga na janela do meu quarto. Ele permaneceu de pé sem emoção nenhuma no rosto até que o caminhão pegasse a estrada principal. Ele acenou com a mãozinha pequena, com uma faca na mão. Não acenei de volta.

Anos depois, eu retornei para New Vineyard. O pedaço de terra que antes tinha minha casa estava vazio, exceto pelas fundações, pois a casa tinha queimado uns anos depois que minha família se mudou. Por curiosidade, eu segui a trilha estreita que Sr. Bocalarga tinha me mostrado. Parte de mim esperava que ele pulasse de trás de uma árvore me dando um puta susto, mas eu sentia que Sr. Bocalarga tinha ido embora, de alguma forma amarrado junto com a casa que não exisitia mais.

A trilha terminava no cemitério memorial de New Vineyard.

Eu notei que a maioria dos túmulos pertenciam a crianças.

01/06/2012

Fuga.

Minha cabeça dói de um jeito que eu nunca senti na minha vida, estou com os olhos fechados mas com um tanto de medo de abri-los. Depois de uns segundo apenas tentando ouvir algum barulho estranho a minha volta, e tendo certeza que estou sozinho eu abro os olhos. Não faço ideia de onde estou. Okay, eu estou em um banheiro, um banheiro enorme, um pouco sujo, com toalhas jogadas no chão. Me levanto devagar e sinto uma pontada na cabeça, passo a mão perto da nuca e sinto um molhado quente. Há sangue em minha mãos e no chão também. Não há sinal de luta no local, então devo ter caído sozinho. Que baita idiota que eu sou, caindo e desmaiando em lugares desconhecidos. Me viro para a pia e me olho no espelho. Meu deus, quem sou eu? Eu não consigo lembrar do meu próprio rosto, como se esse não fosse o próprio meu.

Será que eu perdi a consciência por muito tempo? Tenho que descobrir onde eu estou. Me sinto tonto demais. Saio do banheiro e estou agora em um tipo de dormitório, há umas 10 ou 11 camas aqui. Ando até uma pequena janela e olho para fora. Só vejo campos, morros, e mato em volta do local, e uma grande mata verde. Me sento em uma das camas, e fico olhando o local. Isso é tudo muito esquisito. Será que estou em um internato? Um orfanato? Olho em volta e as coisas parecem totalmente diferente do que eu acho que devia estar acostumado. É como que se tudo que eu soubesse fosse apagado pela metade da minha cabeça. Acho que eu fui drogado por alguém e me colocaram aqui. Desço umas escadas para estar em uma sala bem arrumada, com janelas de vitral que parecem se mover lentamente enquanto a luz do sol bate nelas por fora. Estou drogado, isso é certo. As coisas parecem se mover em minha volta as coisas parecem que dançam ao meu redor enquanto eu ando.

Saio dessa sala pra me deparar com um longo corredor. Só agora percebi o quão frio está aqui. Eu não tenho casaco, só estou usando um jeans e uma camiseta de manga curta. Há alguns quadros nas paredes, muitos estão "vazios", apenas com seus fundos pintados, outros tem personagens totalmente fora do contexto para seus cenários. Isso é totalmente fora do real! Aquele quadro esta acenando pra mim? Puta merda, estou muito chapado. Balanço a cabeça com força, pra ver se consigo organizar minha visão, mas minha cabeça só vem a doer mais e minha visão ficar toda preta por alguns segundos. Me apoio na parede de pedra enquanto recupero a visão aos poucos, piscando freneticamente. Então ouço uma voz no fim do corredor gritando comigo, e olho. É um velho baixo e franzido, com cara de totalmente maluco.

                - HEY VOCÊ! O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? - Ele grita pra mim enquanto corre e manca ao mesmo tempo em minha direção. Ele parece estar totalmente zangado comigo, e tem aquele sorriso psicopata em seus lábios. Não dou resposta e ele e começo a correr pelo corredor. - HEY, VOLTE AQUI SEU MOLEQUE!

Ele me persegue pelo corredor, e eu viro a esquerda descendo um lance de escadas que parecem balançar enquanto eu nado, mas não tenho tempo de ver direito, porque estou tão alucinado para aquele velho louco não me pegar que corro com todas minhas forças, mesmo que minha cabeça doa mais em quanto faço isso. Agora corro pelo corredor de baixo. Quando olho pra trás, ele não está mais me perseguindo, provavelmente eu despistei ele. Mesmo assim abro uma porta que vejo a minha esquerda e entro nela. É uma sala pequena, com algumas mesas viradas de cabeça pra baixo, uma pequena janela de vitral amarelado, e um bocado de vassouras apoiadas em um dos cantos.  Vou até a janela e a abro com cuidado, pois vejo que ela tem uma dobradiça. Ela parece muito velha e esta enferrujada em certas partes, mas depois de uns minutos empurrando ela cede e se abre. Vejo que estou no térreo, e me espremendo pela janela pulo para um grande gramado. Vou andando pelo gramado em direção à uma mata, bosque, ou floresta... nunca soube diferenciar direito. Olho de volta para o local onde eu estava antes. É uma enooorme estrutura, toda construída de pedra. Parece que eu voltei no tempo e me meteram em um feudo ou coisa do tipo. Estou apavorado, não consigo imaginar nenhum jeito de sair daqui. Minha cabeça dói e eu não sei o que fazer.

                - Eí, o que você tá fazendo aqui? - Uma garota com os cabelos loiros cacheados está a alguns metros de mim. Ela me olha com curiosidade e um sorriso nos lábios. Ela esta usando brincos enormes e usando um uniforme que devia ser daquele internato ali. - Você não devia ter saído com os outro? - Ela me pergunta mais uma vez, dando um passo em minha direção.

                - Eu... eu..ahn.. - respondo, passando a mão nos meus cabelos, sentindo minha mão encher de sangue que estava coagulando atrás da minha cabeça no corte que eu tinha feito. Olho pra minha mão e ela também. - eu não sei.

                -Você está sangrando!

                - Não é nada, ahn... estou bem.. - respondo enquanto continuo andando em direção a floresta. - Eu preciso ir.. para lá.

                - Você não pode ir pra lá! Vem, vamos chamar um professor.

                - Não!  Não!

Começo a correr em direção a floresta  até que a alcanço sua orla e começo adentra-la desesperadamente. Quanto mais eu entro na floresta, o dia antes que estava ensolarado parasse se esvair, e tudo lá é muito escuro. Eu ouço a menina correndo logo atrás de mim, pedindo para que eu esperasse, que ia me ajudar. Mas acho que ninguém pode me ajudar. Me drogaram, sequestraram, me botaram nesse lugar totalmente louco. Olho para trás pra ver minha vantagem de distancia dela, mas foi meu erro. Quando volto a olhar pra frente dou de cara em uma árvore e caio de costas no chão coberto de folhas e lama. Minha visão está mais turva ainda agora e vejo a menina acima de mim, ela fala mas não entendo uma palavra que ela diz. Ela tira algo do bolso de seu uniforme e aponta pro céu. Então eu desmaio.

Acordou em uma cama, com um teto enorme sobre minha cabeça. Estou de novo dentro, merda. Olho em volta e na cama do lado a três pessoas. A loirinha reconheço mas os outros dois não. Antes que me vejam eu fecho os olhos tentando fingir que ainda estou desacordado. Ouço as portas se abrirem e barulhos de sapato pelo local. Os cochichos que os três faziam se cessam. Então a pessoa que chega fala. É uma mulher, que aparenta ter já uma certa idade pelo tom de voz.

                - Fale - Ela fala em um tom severo. Não parece estar feliz.

                - Ele estava andando pelo pátio, Professora. Parecia um pouco desorientado, e agiu como se não me conhecesse. - A voz era da garota loira. Ela falava suavemente como se tudo isso não fizesse muito diferença pra ela.

                - Hm, tudo bem. Ele parece que bateu a cabeça no banheiro do dormitório. Ele pode estar confuso quando acordar, então não pressionem ele muito. E quando acordar, alguém vá me chamar.

Os três proferiram "Sim, senhora" juntos, e eu ouvi ela saindo do local. Fiquei mais uns 15 minutos deitado de olhos fechados. Eles falavam baixo demais e eu não entendi muito bem sobre o que eles falam. Depois de um tempo abro os olhos vagarosamente, e olho pra eles. Analiso os outros dois junto com a loira. Uma garota de cabeços castanhos e cacheados, e o garoto um pouco alto e ruivo.

A garota de cabelos loiros me olha e sorri para mim. Os outros dois veem que estou acordado e sorriem largamente. A garota com o cabelo cacheado pula da cama e vem em minha direção e me abraça. "Fiquei tão preocupada com você, não faça mais isso! Você está bem? O que aconteceu? Você bateu a cabeça? Ah, que bom que você está bem!  Hey, vai chamar a Professora." Ela aponta para o garoto que sai correndo aos tropeços pela porta. Eu não faço nado enquanto ela me bombardeia de perguntas, e a outra fica sentada na cama do lado balançando as pernas. Quem são essas pessoas? Eu não faço ideia ainda onde estou ou quem eu sou. Poucos minutos depois o garoto volta acompanhado de uma senhora de idade vestindo um vestido longo verde escuro, e com seus cabelos presos em um coque. Ela tira os óculos ovais do rosto e se aproxima. Coloca a mão na minha testa.

                - Você está bem?

Não respondo. Fico olhando de rosto em rosto. A garota loirinha da uma risadinha e fala entre uma risada.

                -Não sei como ele conseguiu correr do dormitório até o pátio sem seus óculos.

                - Não tem graça, Luna. - A outra menina fala. O garoto ruivo da uma risada baixa junto com a menina loira. A mulher limpa a garganta, e volta a falar.

                - Senhorita Granger tem razão. Vocês está bem, Potter?


31/05/2012

Os Rugrats: A teoria

Os Rugrats foram uma invenção da imaginação de Angélica.

Chuckie morreu há muito tempo atrás junto com a mãe, e é por isso que Chaz é uma pilha de nervos o tempo todo.

Tommy era um natimorto, por isso Stu fica constantemente no porão, fazendo brinquedos para o filho que nunca teve uma chance de viver.

Os DeVilles fizeram um aborto, Angélica não pode saber se seria um menino ou uma menina, assim, criam-se os gêmeos.

Quanto a "Os Rugrats Crescidos", a adolescente Angelica havia se tornado viciada em vários narcóticos que ainda agravavam sua esquizofrenia, trazendo de volta à sua infância e, assim, suas criações obcecadas, por causa do lapso de tempo entre o presente e o tempo passado, ela interagia com suas criações mais uma vez, só que agora mais velhos. Angélica injetava acido em suas veias constantemente, achando que nunca conseguiria viver sem as suas criações, que eram sua única companhia. Em um mundo de julgamento, a mãe de Angélica, na verdade, morreu de overdose de heroína, e Drew, em sua depressão, se casou com uma pobre prostituta que Angélica idolatrava constantemente, porque ela fora enganada a pensar que a prostituta era sua verdadeira mãe, mas sempre teve um conceito de sua mãe de verdade, Cynthia, e com isso, pegou uma boneca Barbie e fez dela a imagem de sua mãe, usando um vestido sujo de laranja e levantando seu cabelo, daí vem o motivo dela ser tão ligada a boneca. Mais tarde em sua vida, ela seguiu os passos de sua mãe com as drogas e tudo mais, e morreu de overdose aos 13 anos de idade, quando “Os Rugrats Crescidos” fora "cancelado".

O único “Rugrat” que não era ficcional, no entanto, era Dil, o irmão do bebe natimorto Tommy. No entanto, Angélica não sabia a diferença entre Dil e suas criações, embora Dil não seguisse seus comandos. Após um choro interminável e uma recusa a desaparecer (diferente dos outros, que desapareciam quando Angélica ficava zangada com eles), ela acabou batendo nele. Devido a isto, o bebe sofreu uma hemorragia cerebral, o que resultou em uma deformação. Enquanto ele crescia, seu dano só se tornara mais evidente no tempo que ele fez 9 anos em "Os Rugrats Crescidos". Ele viveu solitariamente, sendo ridicularizado por sua estranheza e retardamento mental. A culpa imensa sobre isso foi o que levou Angélica ao seu uso de drogas, e o que a levou à “destruição” dos Rugrats brevemente, até sua experiência com alucinógenos.

Em uma viagem a Paris, para encontrar o amor de sua vida, Chaz se casou com uma mulher chamada Kira (Ele fora realmente para casar com uma mulher diferente chamada Coco, mas ela só queria seu dinheiro). Ela tinha uma filha chamada Kimi, que fora arrancada dela graças ao seu vicio em cocaína (Angélica imaginou a maior parte da história de Kira). Ele perdeu a cabeça após a morte de sua esposa, e estava em negação de que ela era uma prostituta. Ao retornar aos Estados Unidos, Chaz e Kira se casaram, fazendo com que ela conseguisse largar seu vicio. Era realmente uma história muito feliz e romântica. Kira continuamente lutava contra o vício, mas foi relativamente feliz com sua vida ao lado de Chaz

Suzie era a única amiga de Angélica, que alimentava a idéia das criações de Angélica, por causa dela. Angélica passou os últimos dias de sua vida no fundo do refeitório da escola, imaginando amigos ao seu redor e brincando com as vidas de suas criações.

Apenas Um Show - Tudo Acaba



Olá, eu gostaria de escrever isso, em caso de que algo aconteça comigo. Aconteceu dois anos atrás, quando eu e meus colegas de quarto assistíamos a um... estranho episódio de "Apenas Um Show"

Era uma noite bem normal. Era abril em um entardecer. Eu estava zapeando alguns canais na TV, Riku estava estudando, Sora e Kairi estavam "se divertindo", se é que você entende do que estou falando... Sendo um sábado, significava que teria um novo episódio. Eu chamei Sora e Kairi, e eles vieram para a sala.

O programa estava começando. O titulo do episódio era "Tudo Acaba". Eu achei que o tema seria sobre Mordecai e Rigby acidentalmente causar o fim do mundo, e ter que reverter o tempo e espaço. Mas não. Nada acontece do nosso jeito. O episodio começou. Mordecai e Rigby estavam assistindo TV quando um anuncio de uma loja de armas apareceu na tela deles. O seguinte exato anuncio foi esse:

"A loja Armas do Greg agora está aberta! Temos espingardas, revólveres, Snipers, até lançadores de mísseis! Dispare nossas armas! Mate seus amigos- espere, esqueçam a última parte! Venha para a Armas do Greg!"

Eu levantei uma sobrancelha em um estado de confusão. Porque eles colocariam algo desse tipo em um programa de TV-PG (NT: Orientação Paternal de TV, desenhos animado que não devem ser visto sem a autorização dos pais, assim como Futurama ou Os Simpsons, dentro das leis do EUA, ou algo do tipo)? Quer dizer, eles tinham já quase passado dos limites algumas vezes, mas isso era demais.

"Mate seus amigos, é? Mordecai está para uma surpresa..."

Puta merda! Mas que merda é essa que Rigby acabou de dizer? A tela sumiu e reapareceu na loja de Armas. Dentro, Rigby estava conversando com um loiro obeso, que supostamente era Greg. único problema: A cena estava em Sueco. E nem parecia com a voz do ator que dublava Rigby. Por sorte, nascido em Estocolmo, eu entendia fluentemente de sueco, e traduzi as cenas para meus amigos.

Greg: "Que tipo de arma você quer, filho?" 

Rigby: "Vou levar um RPG-7."

"Greg: "Ah, um lançador de míssil! O que fará com isso? Ajudar com uma demolição de um prédio condenado na cidade?"

Rigby: "Não, eu vou matar meu amigo."

Greg: "...Hein?"
Rigby: "Você me ouviu. Você disse no comercial."

Greg: "Eu cometi um erro durante o comercial, então se você deseja para isso, eu não te venderei."

Rigby: "ME DE A PORRA DO LANÇA MÍSSEIS!!!"

Rigby pulou em cima de Greg. Ele tirou uma serra elétrica absolutamente de LUGAR NENHUM, e arrancou fora os testículos de Greg, assim fazendo com que o mesmo morresse por perca de sangue. O sangue nem sequer parecia fazer parte da cena. Ele parecia real, como se fosse feito de um péssimo jeito no Photoshop. Rigby saiu furioso da loja e a tela ficou preta.

A cena foi direcionada para o parque. Parecia muito assustador. As árvores e a grama estavam mortas e a chaminé na casa de Pop estava pegando fogo. Rigby abriu a porta. Ele tinha sangue em seu rosto. Ele chamou Mordecai, agora em inglês de novo. Mordecai desceu as escadas perguntando o que Rigby queria. Ele tragou em algo que parecia um baseado e mirou o míssil. Ele apertou o gatilho e disparou. O míssil atingiu a casa pela porta. Dentro, Mordecai havia sido atingido pelo Míssil. Ele estava totalmente desintegrado, suas vísceras e sangue voando para todos os lados. Nó tínhamos a visão da casa por fora. A explosão parecia muito real, e também o sangue que respingava dela. As cabeças de Pop e Mordecai estavam pousadas perto de Rigby, que ria em um tom demoníaco.

Kairi correu para fora da sala e Sora seguiu ela, então era só eu e Riku. Eu falei para ele que o que estávamos vendo ali e a gora nunca mais seria possível ser visto de novo por olhos humanos. Voltando ao episódio, Rigby estava totalmente alvoroçado. Ele jogava mísseis em todas as direções. Partes de adultos, crianças e até bebês estavam voando pelos ares. Rigby virou o lança míssil em direção ao prédio de Benson. Ele disparou, e o prédio explodiu. O corpo de Benson caiu perto de Rigby. Então Rigby falou com o tom da voz soando demoníaco:

"Esse universo já era! Tudo está destruído. Agora, sendo sucedido em destruir tudo ajudando o Satan. Começando com o novo universo DELE!" Ele apontou para o telespectador. "Você, você que esta assistindo esse episódio, estará morto muito em breve. Lembre disso.... Tudo Acaba." Ele disparou o míssil para a tela e a televisão desligou. Riku vomitou e eu corri para meu quarto.

No próximo dia, Sora me chamou para a sala de estar. Aparentemente, ele tinha visto algum grafite no lado do prédio do nosso apartamento, e parecia ter algo relativo ao episódio. Ele nos levou ara fora, e nos mostrou o grafite. Parecia ter sido escrito com sangue seco. Dizia, "DEVAGAR, O MUNDO SUCUMBIRÁ SOB MEU PODER." Riku suspirou, e pensou alto, "Alguma outra pessoa viu esse episódio?"

Kairi puxou o celular do bolso e ligou para as cabeças do canal, sendo que seu primo era um dos artistas do storyboard dos Teen Titans. Ela falou por alguns minutos, então levantou as sobrancelhas em uma expressão de preocupação. Então começou a ficar enfurecida e jogou o celular em um beco na rua.

"O que... o que aconteceu?" Sora perguntou para ela, preocupado. "Eles não sabem nada a respeito do episódio. Eles falaram que Rage Against The TV estava passando." Eu gruni, e andei até seu celular (que não estava quebrado) e liguei de novo para eles. Eu perguntei se poderia falar com J.G Quintel, o criador e dublador de Mordecai.

"Olá, posso ajudá-lo?" Quintel perguntou. Eu respondi "Sim, você sabe alguma coisa sobre um episódio do Apenas Um Show chamado Tudo Acaba?" Ouve uma pausa, e achei que ele tinha desligado o telefone, mas ele respondeu "Hm, sim. Eu e uns amigos fizemos como piada por volta de 2006. Olhando de volta naquele tempo agora, me enoja. Me enoja muito mesmo. E-eu não sei, não sei como eu pude fazer algo tão sádico."

Eu acenei com a cabeça, mesmo estando no telefone e perguntei " Porque você o fez? Você tinha alguma razão para?"

Ele explicou, "Veja, tinha esse cara... não posso falar seu nome, mas ele destruiu um apartamento na minha cidade. Foi por volta desse tempo eu estava fazendo todos os personagens, e imaginei Rigby como um psicopata, sádico... basicamente, a serie se desenvolveria em volta de Mordecai tentando mudar a vida de Rigby. Então eu ouvi isso nos jornais, e pense comigo 'Uau, isso poderia estar em um episódio.' "

"Quem foram os dubladores? Porque uma cena estava em Sueco?!"

"As vozes eram...meus colegas de quarto. O que dublou Rigby gostava de ficar no comando de tudo. Não gostava de ser comandado por ninguém."

Eu olhei para Sora. Você se lembram que, mais cedo, Sora e Kairi estavam transando antes do episódio começar. Sora sempre era dominante sobre Kairi. J.G continuou.

"O que dublou Greg era um estudante de intercambio Sueco. Ele fez a voz de Rigby e Greg em sueco. Ele sempre estava com medo do cara que dublava Rigby em inglês, achando que ele o mataria enquanto dormia ou algo do tipo."

Eu olhei para Kairi. Como você pode suspeitar, ela era submissa em relação a Sora.

"Por último, Mordecai foi dublado por um cara que odiava tudo sobre a sociedade. Politica, religião - tudo. "

Riku se encaixava nesse papel. Além do mais, eu também odiava a sociedade. Eu falei.

"Parece que você descreveu eu e meus amigos."

Não ouve resposta.

"Quintel? Quintel?"

Não era como se ele tivesse desligado. A chamada ainda esta rodando. Depois uma voz muito estranha gritou no telefone:

"EU TENHO ELE. AGORA, EU ESTOU INDO ATRÁS DE VOCÊ E SEUS AMIGOS."

Eu desliguei e joguei o celular em uma lixeira, quebrando o mesmo no meio. Corri até onde estavam meus amigos. "Nós precisamos ir. Agora."

Eu expliquei toda a situação para eles, e eles acreditaram em mim. Nós pegamos tudo que precisávamos e dirigimos para longe da cidade. Até agora, nos dirigimos por volta do país em uma RV com outros amigos. Nós fazemos dinheiros fazendo shows com nossa banda, chamada The Lowlives. Eu canto, Sora e seu meio-irmão Roxas tocam guitarra, Kairi toca bateria e Riku toca baixo, a prima de Kairi, Namine toca as partes eletrônicas e nossos amigos Axel e Xion tocam percussão.

Eu mantive o episódio em uma fita de VHS. Eu tentei mostrar o episodio para os outros, mas to que aparecia era Rage Agains the TV. Até agora eu acho que a TV estava possuída ou algo do tipo. Lembram o que eu disse sobre nunca mais ser visto por humanos? Eu estava certo.